Segunda-feira, 30 de Março de 2009

noiva de plástico


Noiva plastificada num sentimento que julgará eterno,
acreditando no futuro
que de estranho já não lhe estranha.
Esta noiva plastificada sofre
e veste o plástico que lhe dão...

A plastificada noiva que é,sabe
a plastificada vida que adivinha ser,
por isso se mumifica envolta
no plástico do sentimento
que já conhece assim
fica queda,
sem saber,
sem se mexer
sem pensar...
Tudo deixa adivinhar a plastificada noiva,que se enrola no plástico do seu querer .
Mumificada segura um vestido que sabe não
lhe servir...

Esta plastificada noiva que não sorri ao sentir,e
com o aquele incómodo plástico do viver, se deixa passivamente envolver.

Passivamente adivinhando todo o seu futuro o seu ser, plastificada se mumifica num sentimento de já nada querer.
Esta plastificada noiva que de plástico viverá ...
mesmo quando menos esperar,mesmo sem se aperceber
presa a um plástico vivo, se deixará acomodar com medo de rasgar o plástico mumificante.



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto.....António Carlos Carvalho

publicado por ampulhetas1 às 01:38
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lágrimas de cor


lágrimas coloridas assim...
pintadas por qualquer pintor

nunca mais chorarei lágrimas
sem estas descontinuas
pinceladas de cor

porque lágrimas transparentes
sufocam qualquer chorar de dor

lágrimas coloridas por ti
pintadas por qualquer pintor

choradas assim por mim
sem querer
e
sem saber como caíam
só as queria sentir com cor
e nunca inundadas de dor...

matizadas pela mistura colorida
que só por si me consegue abafar
qualquer entranhada dor
nestas descontinuas pinceladas
de cor

se chorar
seja como for
chorarei com cor
mesmo que o pranto carregue o desamor

olharei para este mar de lágrimas
que se confundem
e
chorarei rindo da alegria que consigo ver

só olhando porque é belo
só rindo porque me afago
neste sentimento de amor

amor
dor
cor
mistura que me desfaz a transparência
de lágrimas antigas
que sem cor se perdiam
que sem cor viviam

agora o pranto
tomou luz
agora o pranto
mesmo que seja de dor

de amor

ou qualquer torpor

será vivo

como a cor que se mistura
num pincel de pintor
e confunde a tristeza
que de lágrimas se incorpora
que de lágrimas se alimenta
assim chorarei
sempre
chorarei por mim
lágrimas pintadas
com tanto resplendor

chorarei por qualquer dor
sempre acompanhada pela cor
que confunde a tristeza no seu esplendor
aprendi
por ti
a chorar com pinceladas de cor
lágrimas pintadas que eternizam o amor
que de transparente
não se sabe mais...

amor com cor
dor com amor
lágrimas para sempre
com cor...

Teresa Maria Queiroz/Março 2009

quadro: acrílico s/tela de Horácio Queiroz

publicado por ampulhetas1 às 01:37
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candeias as avessas


Lado a lado se apagaram as chamas
que um dia ali bailaram,airosamente
dançaram queimando o ar
que sempre sopraram.

Lado a lado já não brilham
num puro vidro luzidio
ofoscadas sem luz, já não encantam
nem se movem num sensual redopio
esperando a chama que não vem...
Apagadas
assim ficam lado a lado como que avariadas, sem para nada
já conseguirem servir.
As candeias sem a chama que nos aquece, as candeias onde o brilho se amortece.

Candeias às avessas nem são...
Simplesmente candeias apagadas na sua morta paixão...
Assim permanecem lado a lado ,já sem nenhuma razão ,sem qualquer inesperado
querer por aí escondido ou guardado.
Permanecem, porque o que se espera já foi, porque a chama se apagou sem vento forte que a matasse, apenas um sopro fino que as desmaiou.


Sem mesmo saberem porque, porque a vida assim o quis, achando que nada se une
para sempre, já nem lado a lado se aquecem...
As candeias às avessas apagam-se,simplesmente se desmaiam, e sem chama ficam apagadas.
Já para nada servirem.
Já sem iluminar um sentir, já sem bailar, rir ou sorrir, as candeias de vidro fosco
que não se embelezam de brilho, ali permanecem sem rosto e assim lado a lado se afastam...
até o tempo querer
até o tempo apagar
até o tempo
mandar

lado a lado não se aquecem
sem se saber aconchegar
e teimosamente
não se rendem
nessa existência apagada
e...
lado a lado aprenderam
a já não esperar por nada


Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

foto...José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:37
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escorrendo branca


numa vida que escorre branca cá dentro,vivo a frescura fria da água que me mata a sede de viver e me aqueçe a alma
sem saber.
Escorrendo branca, caí sem me poder fazer doer,
que de dor já não me resfrio.
Encharcada em gotas do amor que crio e me aqueçem na minha vida que escorre branca e transparente,não posso cair sozinha.

Essas rochas que me acarinham avisam no cair de gotas
que a vida não se adivinha, e não querendo cair sozinha
nunca mais...
agarro a rocha por onde me escorro
branca.
Escorrego
e caio sem dor,repleta duma transparente
esperança de amor...

escorro branca e já sem dor, nessa rocha que me afaga, nessa água que me molha
escorrendo por dentro de mim.
Avisa-me que a vida é fria e aquece-me os restos de amor.

E se a vida me deixar agora, se não escorrer branca por mim, levará para sempre
uma transparente parte de si.
De tão bela fixo o escorrer desta água
que me inunda sem me afogar em querer.

Branca,
encontro nela a força que me molha e acalenta este meu atribulado e transparente viver.


Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto....José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:36
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passos perdidos



Todas essas linhas que contornam o meu andar ,contam as breves histórias
deste meu longo e pesado caminhar.
Contam as histórias de quem já fui
ao ali passar.

Tantos caminhos que percorri, contam-se os passos que já perdi, contam tudo o que eu vivi.

Esses passos que nada valem,se não souberes por onde ando,se não souberes por onde fui, se não souberes o meu caminho
nem descobrires o percurso.

Passos perdidos em caminhos traçados e duramente cravados em pedras desalinhadas...
Percorrendo caminhos pensei que nunca chegaria ao fim, fixando as linhas que separam
essas desalinhadas pedras que pisei, nunca parei...

Sem contar os passos que já dei, sei que por ali tambem eu deambulei com passos que nada valem...
Se não souberes por onde vou,se não sentires onde estou, se não ouvires os passoa que dei...
sei
que para ti foram passos sem som, para mim são traços de caminhos percorridos
em qualquer tom...

Estas pedras duras que se desalinham, contam as histórias marcadas no meu já longo caminho.
Em infindáveis estradas, por tantos lados andei sem saber quando parar ,sem nunca conseguir ficar...
andei pensado saber caminhar, nesses caminhos traçados por mim e, a essas pedras que pisei, ouvi...só elas me disseram...
Que caminhando por aí,se conseguia um dia chegar aqui onde estou.

Esses caminhos que guardam as história de quem já fui, empurram-me para um destino que não acabará em ti, e que se prelongará até um qualquer anunciado fim.



Teresa Maria Queiroz / Março 2009


foto....José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:35
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chama de fadas


a chama bicolor
ondulante e
bailarina
dança

leva-te até ás fadas
que imaginas existir

a fadas contam-te os teus
segredos

bailando nessa suave chama
bicolor
que tanto te fascina
contam-te
coisas de mim
falam-te de ti...

coisas
cantadas e faladas
que adivinhas sem querer

as fadas assobiam baixinho
avisando-te
qual o caminho
e
nessa luz de vela se rebolam
à tua volta
e
te consolam nas lágrimas
que ninguém vê

nas lágrimas
que ninguém sabe

inundadas de luz te afagam
as saudades dum passado

que já futuro não é

e nessa cálida luz sonhas
aquilo que só as fadas te deixam sonhar...

com medo de errar um futuro
não despegas um passado
que de conhecido te conforta
tudo o que já foi sonhado

e nessa cálida
luz de vela
te concentras em ti
ouvindo vozes de fadas
que já te falaram de mim....

Teresa Maria Queiroz/ Março 2009


publicado por ampulhetas1 às 01:35
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bruma


Afasto com as mãos e não consigo apagar
essa incómoda, e turva visão.
Afasto com as mão, e reconheço que não
me chega a razão.
E na bruma procuro um sentido que me leve
e me afaste desse montanhoso caminho,percorrido para lá desta enorme ilusão.
E...desilude-me a tal visão que tanto me embelezava o meu fragmentado coração.

Afasto com as mãos, e não consigo afastar esta densa desrazão de tão imensa e densa,
afasto-a com as mão e não vejo mais que uma deturpada e estuporada confusão...
Avanço nesse cinzento denso, abrindo espaço com as mãos e passando para lá da razão
desbravo caminho na bruma...
Subindo montes e descendo vales vou ao encontro de tudo, procurando por nada...
Afasto com as mãos apagando essa incómoda e turva visão dessa atroz desilusão.

Afasto-te de mim, como afasto o pesado ar que se repele num vigoroso safanão...
E nesta densa bruma que sempre me turva a visão,raramente encontro qualquer explicação...

Sei que a bruma não explica, que o ar não sussurra, que o caminho não avisa...
Mas vou ,seguindo o caminho das trevas, até encontrar uma razão que não se suporte
em qualquer penosa desilusão, e afasto outra vez com as minhas mãos, o caminho,num vigoroso e assertivo safanão...


Teresa Maria Queiroz/ Março 2009


foto da Serra de Sintra...
de
José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:34
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textura



Cavámos um negro declive, que quase sem textura lisa nos separa dessa fragosa vida.
Cavando lentamente, esbatendo a cor que
não se mistura em textura,e mesmo sem nada
ajuizar, esse imenso buraco fomos cavando
no meio de nós...
Tão vagaroso que nem notei, cavámos uma funda fossa, pensando saber construir uma imensa e confortável toca.

E de tão escura nem a vejo, abrindo uma vala tão simétrica, partimos em dois essa nossa textura, que nem por nada se mistura...

Mistura que já não se envolve,e sempre se quebra, que não se agrega nem se funde,não se encorpara nem une...
Essa vala que abrimos, querendo sem saber...partiu toda a nossa harmoniosa textura, desprendendo de nós aquele nosso afeiçoado viver
E,pintada por nós, desconjuntamos duas cadenciadas texturas que não prevíamos
dissecar assim
Um afecto,que de árdego,um dia se tornou amor, que de brando se esqueceu do seu imenso calor.
Tornado negro o buraco, que tão simétrico se fez, não lembramos a linha que traçamos
e que nos separou outra vez...

E essa simétrica risca,limita uma união desgastada
Mas a linha continua ali,por si só assegurada, separando essas duas texturas tão diferentes e tão parecidas em si ...
Numa vive o negrume do nada...
Noutra um pouco de mim e de ti...

Separamos assim,como quem com uma faca, não se importa de golpear qualquer alma.
Ceifamos assim,sem querer nem saber... a nossa mais profunda calma

E hoje, agitados não encontramos texturas que se misturem, que se fundam e se abracem
que se calem.
Que se unam, que para sempre se enlaçem...

Não encontramos lisura, não encontramos candura, já não temos qualquer textura...
E, de cândidas nada têm estas texturas cortadas, que de tão simétricas só embelezam estas
vidas inacabadas.

Com um corte perfeito, separamos o que se unia, sem sabermos que se pode cortar sem querer...
Cortamos tão melancólicamente o nosso estremecido viver...


Teresa Maria Queiroz/Março 2009


foto ..de José Dias Correia
obrigada!

publicado por ampulhetas1 às 01:34
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andando por caminhos errados...


Por esses caminhos mutantes, andaste
por atalhos errados.
Passeias ainda nesse teu fatigado andar,cortando caminho procuras e não encontras a tua saída.

Por caminhos errados, andas em passagens
mutantes e tão distantes...
Não corres... caminhas tão devagar...

Divagas sem destino, num rumo cromático
no qual te deixas deslizar, e escorregas, por caminhos errantes,andando...
Já não te vejo desde aqui...
Mudando a tua cor, escondes-te de qualquer dor...percorrendo esses errados caminhos
acertas um passo tão curto , tão devagarinho...
Não sabes se segues, se cais, se paras para nunca conseguires chegar a nenhum conhecido lugar.

Aquela mutante cor, nada te diz nem conduz o teu andar.
Curvado sobre o peso duma dor isenta de qualquer cor, carregas-te...e deslizas nesse cromático caminho, escondes-te andando e já mesmo adivinhando que nunca
te verás chegando...
passeias em ti , erras em ti qualquer escorreito amor sem rumo.
Por caminhos errados andas, sem correr absorves o teu estuporado torpor.
Por esses mutantes caminhos, errados, não lhes sabes mudar a cor, nem aprendes os caminhos sem dor.

Não encontrando,caminhas...
curvando-te sem amor


Teresa Maria Queiroz/Março 2009

quadro:acrílico s/tela
Horácio Queiroz

publicado por ampulhetas1 às 01:33
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fogoso fogo

Não me queimo, neste meu tão perfeito fogo.
Não me fere este pulcro fogo, enão me cega o seu fumo.
Não me arde esta fogueira, na sua revigorosa cor.
Não lhe consigo reconhecar aquela dor, que rodeia o meu corpo de amor.

Tal como um tronco que se desfaz crepitando, vivo-te neste fogoso fogo, libertando fagulhas em brasa.
Não me queimo, neste fogoso fogo que me muda de cor,que
não me fere o olhar, que me mistura num cheiro e num ardente calor

refunde-me num baile de vento elevando-se em vivas chamas e como a um tronco me desfazesem brasas de vida...
Neste fogoso fogo, viverei bailando, eternamente ondulando no ar que me rodeia,sufoco num fumo que a essência me cheira.
Em retalhos de vida ficarei abrasando-me de paixão e cor ,nesse fogo me empolgo
vivendo em brasas sem medo, suporto o calor que tem uma vida de fogueiras ...
que nada serão sem paixão e, que sem este fogoso fogo devagar se apagarão...
Sem ar, sem fumo, sem cheiro, sem o seu fogoso calor, nada será...
Meu lento fogo que me enlaças, incinera-me nessas brasas que me picam com as suas
fagulhas disparadas,e que de tão fortes não me queimam...
de vida e calor, não me queimo neste meu embriagao e perfeito fogo de amor...


Teresa Maria Queiroz/ Março 2009


foto de António Carlos Carvalho
obrigada

publicado por ampulhetas1 às 01:32
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caminho recto


Tracei rectos e delgados caminhos, por cima de confusas cores, tracei caminhos direitos
pelos quais nunca caminhei...
Confundida nessas misturadas cores que me embalavam de brilho e eboliam permanentemente o meu pensar...

Não caminhei por finos caminhos,que de tão rectos se acabavam, que de tão direitos se sobrepunham e mergulhei no fascínio
dessa colorida tela, pintada de tons de vida,
soltando livremente o pensar, que me absorvia num sentido pleno e belo como tudo o que brilha, cheio de cores e luz.

Não caminhei nessas linhas tão rectas e amarelas, sobrepostas a um pensar
que não se clarifica num negro....

Que vive o harmonioso emaranhado de tons que me delicia, não prendi o meu pensamento nessas duras rectas sem sentido, e livremente soltei desejos de cor,
pensando em todo esse esplendor de tons ...

De um berrante e ondulado amor que não aprende a caminhar recto...



Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

quadro: acrílico sobre tela
Horácio Queiroz

publicado por ampulhetas1 às 01:31
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entrei

Entrei por ali, por essa calorosa porta, esperando o conforto que o quente me daria, entrei por ali um dia...
Essa afável porta que me convidava a pensar viver mornamente uma tranquilidade, calda e de tão tépida
aterradora...

Entrei por ali, depois da porta, esperando...uma vida que sempre desejei fervorosa. Entrei cálida e docemente, pisando um novo chão seguro, recente e já conhecido...

Vivendo um princípio de tudo, por aquela porta, não previ um terminar de nada porque assim pintaram a minha entrada, tranquila e vazia de afectos...

Segura entrei por aí, numa casa cheia de sonhos mornos, não tardei em sair para ferver de emoções que não contive.
Naquela casa, depois daquela porta, assim me vi, plácida... e assim me viram devagar, demasiado devagar...e pentaram assim o resto da minha inacabada história.
Entrei morosamente, e saí fervendo buscando felizes e raros queres, já sem a tranquilidade que não soube viver...saí



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:31
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abraço


Abraçando-te, anseio furiosamente despregar os gélidos pregos desse teu sofrimento.

Num abraço forte, quero arrancar essas escápulas que sem quereres te aprisonam, e
só com o meu abraço, te posso envolver
numa indelével cura de amor...só nos meus braços, te posso agarrar e tentar curar qualquer dor, afagar serenamente essas fundas fridas, essas que te abriram...
Destruindo
os ressentimentos, preservo o teu passado e delicadamente,com força, quero-te abraçar num futuro, devolvendo-te aquilo que és...
Abraça-me também a mim, liberta-me ...prende-me nos teus firmes braços, agora ,já com a tua límpida vontade de me amar...
Segura-me, não te desprendas de mim, eu com força te abraço, seguro-te...e deixo que possas ver, deixo que possas ser!
Viver a vida que ainda existe para lá do que já foste, segura-me...abraça-me!
Vem comigo...envolve-me em ti ,vive !
Mostra-me o outro lado do teu sentir...

Agora já liberto desses frios pregos que te prendiam, arrancas as escápulas que sempre te amarram ao que não queres...
Vive livre!

Com o meu ameno abraço, devagar...sei que te posso ajudar a libertar, e nesse abraço poderemos recomeçar, a viver o que não houve, o que não foste, o que eu também não fui.

Nesse apertado e livre abraço, abraça-me outra vez com força e poderemos tenta recomeçar a viver, a vida que ainda não sabiamos haver...abraça-me...livre...



Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:30
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esquecido



esquecido de tudo... um dia endontro-te assim, ancorado
esquecido do teu passado.

Encontr-te envolto num musgo podre já esquecido de como se rema, estás ali esperando que te guiem por aí...

Já sem vontade, não sabes qual o rumo da tua vida e sempre esquecido de tudo, encontr-te ondulando em águas paradas.
àguas
que já não se agitam á tua volta, que deixam as algas te enfeitarem , que deixam que se colem e sujem a tua frágil alma
...


Esquecido ancoraste por aí, e assim ficaste parado no teu tempo imaginado...já não esperando por nada, sozinho afogaste-te em sujos ninhos de musgo, apodreces sem querer, nessa lama parda.


Lembrando-te do que já foi, esquecido ficarás de mim e sempre esquecido ficarás da vida,
sem rumo não rumarás, por já não saberes, por um dia teres perdido o teu norte,não entendes quais os pontos que tens de seguir...

Agora, aí
ancorado, já não sabes zarpar com ancora, já sem mim...
não te amarram as ancoras, que te saibam liberar
Olvidado
de tudo, envolto em nada ,ancorado em ti...assim estarás e assim ficarás esquecido de tudo...
Um dia te encontrarei, e soltarei a velha corda que teimosamente te amarra a ti,
deixando-te apodrecer nessas fétidas águas paradas...




Teresa Maria Queiroz /Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:30
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engolida


Engolida, com a brutal força dessa onda,não posso flutuar num espaço que não concebo,
que não consigo.
Engolida por uma vaga irreal, não encontro bóias reais que me possam segurar, na força
neste estrondoso mar.
Dentro deste gigantesco remoinho que me engole, já sem força não flutuo nem me seguro, engolida.

me canso a nadar, contra esta forte corrente de mar...

E deixo que a onda me engula, deixo que o mar me afogue, deixo que a vaga me aferre,
deixo que sereias me acurem assim...
Na força dessa onda, que me traga sem paz, deixo que búzios me acolham com amor...
deixo que ninfas me vejam com tanto rigor, na força dessa onda que me engole
não aprendo a nadar, neste mar...não flutuo...
e caindo...espero que nesse grande fundo azul, me esperem e me consigam amar, porque
certamente
chegarei e...com sereias ficarei, aprendendo a nadar
vivendo plena de mar...com ninfas brincarei, aprendendo outra vez a gargalhar.

Nessa onda que me leva, já querendo, vou para aprender a ficar...


Teresa Maria Queiroz/Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:29
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transparência



Nessa transparência, julgo ver o que me dá de beber e a vida julgo provar, sentindo-a.

O tinto quase purpura, quase roxo, quase belo

Quase sempre...me dará de beber, e nessa transparência colorida de sangue e vida, bebo sofregamente, sorvo o néctar de cor e olho a luz desse meu roxo...de purpura imaginada.

Bebo nessa transparência, tornando a vida real, bebo saboreando cada gota, sofregamente bebo...
sabendo que não me acaba essa cor, sabendo ao que me sabe saciar a sede, nessas transparência, bebo sorvendo golos de amor...

Vivendo imersa em cor, essa cor de vida e paixão, que me entorpeçe depois de já tudo beber...rio desalmadamente, rio colhendo vida em cada gota.

Alegro-me nesse néctar que me alimenta, nesse sabor que me delicia...sabe-me a vida vivida, sabe-me a esperança contida numa outra cor já sonhada
Trocando as cores, entorpecida...bebo ao belo do amor, e já rindo, brindo e alimento uma qualquer fugosa paixão que anule aquela suposta dor
...
sabendo que paixão é vida, não recuso essa ilusão...de sabor e cor...



Teresa/Março 2009

mais uma fantástica foto de
José Dias Correia...obrigada Zé

publicado por ampulhetas1 às 01:28
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espelho


sem reflexo não te reflectes na imagem dum espelho
que já não te olha,
sem luz não te vês, já não te sabes ser.
Sem face nada és e voltado de costas ao mundo,não vês o reflexo que já não tens
procuras...
Procuras um espelho que só te imagine,apagado
não reflecte a tua imagem, sem alma não figuras,
sem alma não te vês.

Voltando as costas ao mundo,escurresses, apagas-te a qualquer luz, e sem alma não te verás no reflexo
do espelho, e...sem retrato que te veja, ninguém te verá, ninguém saberá quem és
e...já não te sabendo, deixarás de existir no reflexo duma qualquer luz, mirando-te a um espelho que não te vê, julgarás que á nada tens para contar, que já nada consegues viver.
Sem alma, escureces qualquer reflexo puro de luz e...não querendo sabes que já não existes e não te sabendo não te entendes...

De costas voltadas ao mundo,desapareces sem saber, ansiandopor reaparecer...

sem alma não te vês,já não sendo não te reflectes, já não amando não vives,já sem alma....nunca mais saberás chorar


Teresa Maria Queiroz/março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:28
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nascida


Como vida nascida de pedra inerte, vivi a luz da flor que quer nascer, crescer sem medo
quase sem se aperceber.
Nascida do nada, cresceu um caule de flor
e transformou o seu amor numa cor amarela,
sem vida,nascida da pedra inerte, respirei o ar que não tinha, voei por um ar que não havia...
Mas sem vida vivi...
Como duma pedra inerte que deu flor, flori

berrante de cor,sempre ávida de amor e luz, incrédula em qualquer dor, sem vida nasci
para um amor...que só vivia de dor...com vida nasci sem querer, duma pedra ausente de cor, com vida colori um amor que não vivia...com vida respirei um amor que sufocava...
Com vida bebi
um amor que se secava, mas com vida nasci duma inerte pedra, que na sua áspera dureza
nunca me deixará morrer de dor, procurando a luz que me conduz, cresço berrante de cor




Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:27
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morna...



Banhei-me em água tépida, sorvi o morno doce que me deu a provar.
Banhei-me em água lenta, que devagar se escorre, e de translúcida me encharca
de emoção...

Banhei-me na doce água do carinho, molhando-me com as suas lágrimas mornas,
banhei-me sem paixão numa água assim,
que de tão tranquila me afaga uma fervurosa solidão que dentro de mim se coze...

Banhei-me nessa água púrpura de emoção,banhando-me suavemente...
A morna água que me trás essa infindável recordação, do passado que sou...
Banhando-me nesta doce água de ternura, encho-me de esperança do que ainda serei

Banhei-me numa água pura, que de rancores já não se recorda, que de tépida me afaga e
que de morna me transtorna, na fervura desse passado que sou...

Arrefece-me devagar, suavemente me lava e tão suavemente me cobre, mornamente me protege da ebolição desse amor, já não querendo me amorneço, nesta água que se escorre lenta e forte, banhando-me numa suave e insegura ilusão



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:26
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orvalho

Numa manhã de orvalho,vi a forte cor que me feria
com um doce olhar,numa manhã soalheira,viveu esta pétala de flor.
A vida deu-me esse orvalho, que eu não queria provar, nessa manhã que não esqueço a vida deu-me a água que preciso de beber e que tanto quero provar, para qualquer dia...podervoltar a sonhar, tal como uma pétala amarela
vivo a luz que me quer dar cor.
Tal como uma pétala, bebo aquelas doces
gotas poisadas como uma pequena flor,
vivo a Primavera sem medo da luz.
Tal como uma pétala que seduz, seduzo-me por este deliciar de cores com a água e a vida do qual é feito o amor...
Nessa manhã,vivi a forte cor do resto da minha vida, vivi a cor que me trás o calor que mais preciso, para nunca mais gelar

Nesta Primavera, tal como esta pétala vou beber e saciar, beber as gotas de um amor
beber essas gotas de orvalho, saciando a sede de amar, sorvendo essas gotas de orvalho
que assim me aparecem
sem eu nunca esperar



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:26
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brasas



Entre um fogo que nos queima,vivemos esta vida ardendo...neste fogo que não se apaga,
por não poder,vivemos momentos puros dum insensato prazer, fugindo de brasas que queimam, procuro por onde estarás...
Quando me ardem essas brasas,por dentro
fervendo me derreto...
Entre o fogo da vida que nos escalda, não tenho pena de nada, nem sei onde estás...

Está escuro,
onde estavas tu? quando estas brasas de fogo me queimavam, onde estavas? quando nelas eu me deitava, não querendo sentir o ardor desse fogo de vida sem silêncio...
Procuro-te entre chamas já vividas, não te encontro nas pálidas cinzas perdidas, deitada em brasas me quedo...
Esperando um novo atear de fogo, nestas brasas da vida que nunca se apagam
sinto o calor que ainda virá.

Já não sentindo o teu fogo, esperando o meu novo vento que ateie fagulhas em mim,não me quedando mais em brasas que já não vivem,levanto-me de pálidas cinzas...
Não sabendo onde estavas, quando ardia em brasas acesas por ti...não querendo atear mais brasas, que já não são vida, espero um sopro de vento, suave
Espero o vento que vem, num fogo de vida que não se apaga
vivo em mim...
Esperando uma brisa de amor, um vento que ateie as brasas que foste apagando no tempo

mas o fogo não se me apaga...vi fagulhas vivas por todo o lado,mesmo em brasas esquecidas de outro vento, vejo fagulhas atearem o meu ser ...assim descanso de ti...
Tu que não estavas, quando em brasas ardi...



Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:25
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raiado de verde


Hoje mesmo sem querer ouvi-te...
Outra vez, num suave verde de esperança.
Hoje, já não querendo ouvir nenhuma cor, para lá da pura suavidade do branco...apareces novamente
sem eu pedir, sem eu pensar,
inundado de verde...
Inundado duma esperança raiada
que já não quero ter, que já não quero ouvir.
Sem querer não te tenho e sem querer ainda te oiço...por momentos
Olhando os raios, desse perpétuo verde,que se cruzam, penso no que nunca mais serás para mim...
Peço á luz que não me mostre mais do que branco...ansiando por esse verde de esperança, sei que já não a posso ter.
Apareces vindo dum som verde, tocado por uma luz qualquer,apareces outra vez, cantado de verde e inundado de luz raiada, para que te oiça.
Cego-me para não te ver.
Não querendo ver nada mais que branco, oiço-te verde para sempre e
escondo-me de ti...escondo-me por trás de cores,que já não quero
nem sei ter...
escondo-me, por trás duma esperança que não tenho...

Que me
aparece como um zumbido soado e raiado de verde,sussurrando inverdades ao meu ouvido.
Não querendo mais que puro branco,prendo-me na luz raiada dum verde
de esperança,
que já não espero ver...
ou algum dia voltar a querer ter...



Teresa Maria Queiroz/ Fevereiro 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:25
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reflexo em mim



em toda aquela absurda escuridão
em que me envolvo
não quero deixar que entre luz
não deixando
reparo em pontos de luz
que se formam
e me inundam de vida
 
imagem de alguém que foi
reflexo dum amor que é
 
formando luz ao meu redor
me esqueço do que não queria
reparo em pontos de intensa luz
 
formando o amor que desejo
não me escondo
na absurda escuridão que me envolve
reparo na vida
que trago dentro de mim
 
não esquecendo o amor que
foi...
observo a luz disforme
formando o corpo desse amor
envolvo-me nessa luz
 
esquecendo a escuridão que me envolvo
vivo
nessa luz tão breve
como o amor que é
imortalizo o olhar
nesses breves pontos de luz
e envolvo-me na minha escuridão
olhando a luz
nunca me esqueço
de ti...
 
teresa / fevereiro 2009
 
foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:24
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segurando um futuro...




segurando um futuro que me toca, revivo o passado que sou na esperança,que esse suave futuro que me toca possa compreender o meu passado.

Passado que criou futuro sem medo,e hoje já sem medo do fim, só porque o futuro me consegue tocar.

Só porque me tocas suavemente, com essa mão de criança

E eu...partindo um dia, envolta num passado meu,

sei que ficarás aqui, também tu para edificares um teu passado

na suavidade da tua mão que me toca.

Seguro-te com a força de quem segura um futuro, revivo tudo o que já fui...

agarrando o teu futuro, toca-me o passado vivido numa esperança presente.

Sabendo que não existe fim,sei...que um dia posso partir daqui, com a certeza que continuas a viver um presente, construído de passados ainda breves em ti

Irás abrindo um calmo futuro, na suavidade do teu pequeno toque, sei que te recordarás de mim...

E assim tranquilamente, um dia, um dia posso partir agarrando um futuro em mim,

construindo já um passado teu.

No suave toque da tua mão, sinto, mesmo partindo que um dia, continuarei a viver em ti

 

 

Teresa Maria Queiroz/ 2009

 

foto de José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:23
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parti um caco em mim...



por ali consigo ver

neste caco que parti

neste caco que soltei

de dentro de mim

consigo olhar um verde intenso

que vive de cor

por ai consigo ver

vejo o que está para lá de mim...

partindo este fragmento de vidro

que me separa de tudo

que me separa de ti

que me prende

num presente ainda

tão presente

em mim...

vivido em ti

parti!

um caco de vidro.

tentei cortar o passado

vislumbro um futuro

afiado

misturado de cor

um futuro

feito de passado

que golpeio com este meu caco

que de golpes não sai nada

sem sangue que dele jorre

tentei cortar um passado

partindo este caco em mim

num vidro esbatido de amor

parto um caco

sem sentir a dor

vislumbro um futuro coberto de cor

espreitando-me

chamando-me

não vou

aqui fico

só espreitando

deste lado errado

desta janela de vida

cheia de um teu

meu passado....

que não quero estilhaçar

o presente

só parti um caco

em mim...

devagarinho

parti um caco de vidro

na esperança de cortar

desenho golpes fininhos

construo riscos de amor

golpeio o passado sem sangue


em mim

parti um caco de vidro


parti um caco de mim...

 

Teresa Maria Queiroz/Janeiro2209


publicado por ampulhetas1 às 01:23
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suavizas-me




 

ainda com a tua suavidade

na ponta dos meus

dedos

toco as tuas teclas

pensando a tua pauta

penso a tua musica

ainda com a tua suavidade na ponta

dos meus dedos

lembro-me ao que soas

tento reproduzir

não te ouvindo

e...

de memórias me encho em ti

ainda com a tua suavidade na ponta dos meus dedos

afago um teclado frágil

suave

um teclado ainda vivo

e...

não sabendo ler a tua pauta

improviso

passando os dedos por ti

suavizas-me na tua lembrança

lembro o sentir

invento a tua música

invento o teu soar

e

só ensurdecendo

te consigo escutar

passando suavemente

os meus dedos nas tuas teclas

frágeis

suaves...

preciosas teclas

que soam a uma mágica música

que penso ouvir

lida na tua pauta

inventada...

inacabada...

lembro-me ao que soavas

lembro a suavidade das tuas teclas

que

para sempre tocarei

essas teclas dum piano sem som

que imagino

ainda com a tua suavidade na ponta

dos meus dedos

toco-te

para sempre

envelhecendo-me como as tuas gastas teclas

suaviza-me o teu tocar que não oiço

suaviza-me o toque que não sinto

ainda com a tua suavidade

na ponta dos dedos

toco-te

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 01:22
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escondo-me



escondo-me em búzios do mar

tapo-me com conchas

neste manto

pardacento

não me posso descobrir para ti...

nem sei se te posso aparecer assim

misturo-me com tudo o resto que me envolve

neste mar

de búzios e conchas

querendo que me encontres

aqui...

deixo-me disfarçada

num búzio de mar

com medo de sair

com tanto medo de ser...

de ser tudo outra vez

com medo que me encontres...

nem sabendo se me queres procurar

escondo-me debaixo destas conchas de mar

que me tapam o ser

que de ti me ocultam

o sentir

que

ali aconchego

esse sentir quenão quer

não quer ser livre outra vez

ansiando que me encontres

aqui me escondo neste mar de conchas e búzios

pardacentos...

querendo que me queiras

sem mesmo saber se ainda

te poderei querer

escondo-me

de mim

escondo-me de ti

na ânsia que me descubras

outra vez...

escondo-me

na ânsia que me queiras procurar

um dia...

escondo-me de mim

com medo de sentir

com medo de querer

quero-te

não querendo destapar sentimentos

grito-te em silêncio

que um dia já não vou precisar

deste pesado manto

de conchas

e búzios

pardacentos


quero....

querer-te.

 

Teresa Maria Queiroz/Janeiro 2009

 

foto gentilmente cecida por José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:21
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tranquilamente



já com tranquilidade

me adormeci

sonho entender a loucura

de olhos fechados

tento ver o que não vejo

se os abrir

já com tranquilidade

julgo não entender

essa loucura em que te abarcas

de olhos fechados

parecendo tranquila inquieto-me por nada

por medo do que não entendo

olhando-te

vi-te sempre como de olhos fechados

hoje

já com tranquilidade

não comando nada em mim

não entendo nada em ti...

já com tranquilidade

deixo-me sonhar com o que

um dia não foi

já com tranquilidade desfaço

as tuas recordações

que não alcanço

e

tranquilamente

guardo o que ainda sei entender

sonho de olhos fechados

com o que essa espécie de loucura

não me ensinou

a perceber...

e

já tranquilamente

não me esforço

por perceber

o irracional que te veste

o irracional que te embala

o irracional que te guia

já tranquilamente

não me deixo guiar por nada

não me quero guiar por ti...

não me sei guiar por mim...

e

de olhos fechados

construo o irracional

só de olhos fechados

te consigo pensar

já tranquilamente

te deixo viver

sem nunca te perceber

com medo de nada entender

de olhos fechados

vivo-te

tranquilamente

aceito o racional

sem razão para perceber

tranquilamente

vivo

tranquilamente...te quero deixar

viver

 

Teresa Maria Queiroz/Janeiro 2009

 

foto de José dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:21
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desencontros

desencontros



na confusão

de desencontros

não te encontro

perco-me

em pegadas disformes

procuro a tua direcção

perdendo-me na minha

 

na confusão de desencontros

passas por mim...

sem te ver

sem te sentir...

já não te reconheço

com pegadas disformes

já não sei como andas

não conheço o teu andar

já não sei para onde vais

já não sei onde estarás

na confusão de desencontros

espero encontrar

um fio

que me leve nesse teu andar

incoerente caminhar

descompassado confuso

incerto

e sempre

e para sempre

procuro

na confusão de caminhos

desencontros imprevistos

que baralham

o meu andar

para sempre

nesses desencontros

de caminhos incertos

me movo

tentando

perceber o sentido

procurando-te

me

perco sempre

já não sei o meu caminho

não conheço o teu andar

pegadas que se desfazem

com o tempo

pegadas feitas por nós

desfeitas pelo mar

não encontro o teu caminhar

já não sei o teu sentir

passas por mim...

não te vejo

nesta confusão de desencontros

levados pelo mar...

tentando agarrar desencontros

perco-me no meu andar

 

teresa/Janeiro 2009

 

foto de......José Dias Correia

desencontros



na confusão

de desencontros

não te encontro

perco-me

em pegadas disformes

procuro a tua direcção

perdendo-me na minha

 

na confusão de desencontros

passas por mim...

sem te ver

sem te sentir...

já não te reconheço

com pegadas disformes

já não sei como andas

não conheço o teu andar

já não sei para onde vais

já não sei onde estarás

na confusão de desencontros

espero encontrar

um fio

que me leve nesse teu andar

incoerente caminhar

descompassado confuso

incerto

e sempre

e para sempre

procuro

na confusão de caminhos

desencontros imprevistos

que baralham

o meu andar

para sempre

nesses desencontros

de caminhos incertos

me movo

tentando

perceber o sentido

procurando-te

me

perco sempre

já não sei o meu caminho

não conheço o teu andar

pegadas que se desfazem

com o tempo

pegadas feitas por nós

desfeitas pelo mar

não encontro o teu caminhar

já não sei o teu sentir

passas por mim...

não te vejo

nesta confusão de desencontros

levados pelo mar...

tentando agarrar desencontros

perco-me no meu andar

 

teresa/Janeiro 2009

 

foto de......José Dias Correia

desencontros



na confusão

de desencontros

não te encontro

perco-me

em pegadas disformes

procuro a tua direcção

perdendo-me na minha

 

na confusão de desencontros

passas por mim...

sem te ver

sem te sentir...

já não te reconheço

com pegadas disformes

já não sei como andas

não conheço o teu andar

já não sei para onde vais

já não sei onde estarás

na confusão de desencontros

espero encontrar

um fio

que me leve nesse teu andar

incoerente caminhar

descompassado confuso

incerto

e sempre

e para sempre

procuro

na confusão de caminhos

desencontros imprevistos

que baralham

o meu andar

para sempre

nesses desencontros

de caminhos incertos

me movo

tentando

perceber o sentido

procurando-te

me

perco sempre

já não sei o meu caminho

não conheço o teu andar

pegadas que se desfazem

com o tempo

pegadas feitas por nós

desfeitas pelo mar

não encontro o teu caminhar

já não sei o teu sentir

passas por mim...

não te vejo

nesta confusão de desencontros

levados pelo mar...

tentando agarrar desencontros

perco-me no meu andar

 

teresa/Janeiro 2009

 

foto de......José Dias Correia




na confusão

de desencontros

não te encontro

perco-me

em pegadas disformes

procuro a tua direcção

perdendo-me na minha

 

na confusão de desencontros

passas por mim...

sem te ver

sem te sentir...

já não te reconheço

com pegadas disformes

já não sei como andas

não conheço o teu andar

já não sei para onde vais

já não sei onde estarás

na confusão de desencontros

espero encontrar

um fio

que me leve nesse teu andar

incoerente caminhar

descompassado confuso

incerto

e sempre

e para sempre

procuro

na confusão de caminhos

desencontros imprevistos

que baralham

o meu andar

para sempre

nesses desencontros

de caminhos incertos

me movo

tentando

perceber o sentido

procurando-te

me

perco sempre

já não sei o meu caminho

não conheço o teu andar

pegadas que se desfazem

com o tempo

pegadas feitas por nós

desfeitas pelo mar

não encontro o teu caminhar

já não sei o teu sentir

passas por mim...

não te vejo

nesta confusão de desencontros

levados pelo mar...

tentando agarrar desencontros

perco-me no meu andar

 

teresa/Janeiro 2009

 

foto de......José Dias Correia


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alma



na tua alma....

 

 

 

 

 

 

 

 

 

lamaçenta sentes-te

sem nunca te libertares

desse escorregadio de emoções

deslizam-te sentimentos

nessa tua alma...

lamaçenta

molhada de lágrimas

que contêns

lamaçenta sentes

a tua alma

e

desenhas figuras

que não permanecem

nessa lamaçenta lama

em

que te constróis

nesse lodo de sentimentos

já não distingues as formas

desenhas figuras que se apagam

na aguadilha de lágrimas que não vertes

que concentras

nessa lama

inconsistente

deixaste ficar tua lamaçenta

alma

num pântano de desejos

que nela se afogam

e... simplesmente

desaparecem

engolidos


já não querendo desenhar figuras

soltas as lágrimas para que sequem

sozinhas

desesperadamente

tentas secar essa lama

e perguntas...

em que tornas-te tu

essa tua alma ?

onde só escorrega o teu amor

onde se afunda o desamor

nessa lamaçenta alma

não deixas crescer o sentir

desenhando figuras

que se apagam quando menos desejas


nada te permanece

tudo te escorrega

nessa

lamaçenta alma

cheia de lágrimas por verter

chora...

chora comigo...

essa

lamaçenta alma

que um dia vais ter que secar

sem medo de um dia chorar

e...

sabendo que não a podes secar de amor

adias

para sempre adias


lamaçenta alma tua

que sempre

te escorrega das mãos

 

Teresa Maria Queiroz/Janeiro2009

 

fantástica foto ...de José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:19
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subo devagar



subo devagar
muito devagar subo...

demasiado devagar
 
pesa-me este meu
cansado andar
nesses pesados
degraus

sem pressa de chegar a nenhum lado
 
sem pressa de saber de onde vem aquela
radiosa luz
 
algo me chama
algo me diz para subir...

e a contra gosto subo
essa escada contorcida
a alma
manda-me parar
o corpo manda-me subir

e....

 
subo esses degraus pesados
que de tão pesados me cansam

e

 
na beleza da luz
me fascino por tudo...
cansada
me fascino por nada...

vou subindo devagar
 
uma escada que não conheço
uma escura escada
que não me atemoriza
 
atarida por
uma luz que não conheço

 
fascinada
 
começo agora a subir
subo degraus altos
pesados
cansada de subir
não desistindo dessa radiosa luz

 
a luz que não me incomoda

pensando não ter força...
 
hipnotizada por nada...
 
comecei a subir
agora não posso parar

 
agarrada ao forte corrimão
que sei não me deixar cair
subo
devagarinho
e sem medo...

 
pés pesados
pernas cansadas
já sem força
comandados por nada...
continuam a subir
e
 
sobem

porque a luz é diferente
a luz é sempre tão diferente

 
sobem
nem sabem porque
 
não controlo esse subir
e
vou subindo
sem medo de cair

 
subo
devagarinho subo
não sabendo quando chego
a essa mágica luz

 
já não me importa o tempo
já só me importa a luz
essa fascinante luz !
 
que de repente...
me fez querer subir
esta pesada escada

e cansada
subo
mesmo quase sem querer

 
subo
subo devagarinho
subo
 
sabendo que um dia vou chegar a essa luz...
a essa diferente luz...
 
devagarinho
e sem medo
 
 
 
subo


 
 
Teresa Maria Queiroz/Janeiro2009
 
foto cedida por José Dias Correia
 
(obrigada Zé pelas fantásticas fotos!)

publicado por ampulhetas1 às 01:18
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desprezando



com desprezo me deixaram cair
 
desprezando mesmo
o que não sabiam
e não queriam
nunca desprezar ...

descuidadamente
me deixam cair
ali
num qualquer lugar
desprezada
 
no asfalto fico


 
ainda vivendo...
sem corpo
e com alma

 
 
com desprezo me deixaram cair...
 
será desprezo
o que a alma manda fazer...?

será medo de me apanha?

 
com desprezo
e sem saber
me deixam cair
por querer
para que ninguém me apanhe ...
 
com desprezo e
mesmo
sem saberem porque
me perderam

 
 
querendo não secar no asfalto
 
não tenho corpo
que sustente a alma que me fará levantar
com desprezo...
e sem pensar...
me deixaram
incapaz de voltar

 
sem saberem nem porquê
deixaram-me cair por ali
 
e ali fico
no meio do nada
contrasto com asfalto frio
que incomoda a minha alma
 
que sem corpo ....
se quer encontrar

 
que sem corpo
um dia
não sabe se irá voltar
 
depois do desprezo
não saberei como continuar

 
com desprezo
me deixaram cair
já não me conseguindo apanhar
e
 
sem nunca saberem
o que o desprezo pode fazer
sem preverem
sem sentirem
sem os escrúpulos
de quem nunca despreza

 
sem nada
e por quase nada!

 
com desprezo me deixaram cair!

 
amareleço ...
vou secando
nesse imenso asfalto
frio
de textura granulada
que fere as minhas
suaves
pétalas desprezadas

 
e sem mesmo conseguir desprezar
quem aqui me deixou cair...
 
fico
assim só com alma ...
 
já sem corpo

na esperança que me apanhem...
 
fico
sem força ...
 
já sem força
fico...

 
 
Teresa Maria Queiroz /janeiro2009
 
inspiradora foto....gentilmente cedida por meu amigo José dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:18
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sedutor



ruído de voz que seduz

odor de paixão...

envolto em verdes faíscas de sedução

caminhas...

deixas que tropeçem em ti...

acaricías

na sombra

amas sem saber amar

vives

ou pensas viver...

 

com a impressão de impressionares

seduzes

com abraços quentes

com palavras ditas

com mãos de mágico...

de tão perfeito

assustas

fascinando...

mascarado do que quiseres

adaptado a tudo

frágil quando tem que ser

forte para pensar proteger

assim seduzes

sem nunca te deixares ver

assim te moves

mascáras-te

sem nunca te conheceres

pensando num eu que não és

seduzes

envolvido nessa cor

que emanas ...

que brilha só quando queres

deixas que tropeçem em ti

ofuscas assim quem quiseres

assim te moves

sedutor...

com disfarçadas

máscaras de amor


assim te ouvem

num ruído de voz arrasador

assim te beijam

com beijos inundados de amor


seguro de ti sedutor

inseguro de ti meu amor...

só assim seguro dum tu

que sabes não ser

assim te movimentas

brincando com quem seduzes

não amando

quem te ama

não beijando que te beija

sem nunca saberes amar...

sem nunca te amares a ti...

assim

te movimentas envolto nos raios

de uma verde luz

com sombras de mistério

fascinas

quem te tropeça

acariciando

corpos

procurando

almas sedentas de amor...

insubstituível

te tornas

meu

perigoso sedutor

sem amar

brincas ao jogo do amor

jogando o jogo mais perigoso

sempre

sairás vencedor

e

levando tudo...

um dia partirás

sem nada...

sem o teu amor

partirás...

deixando rastos de dor

que não sentes...

 

sedutor

de tudo

e

que nunca

te seduzes a ti

sedutor

continuas a deixar

que tropecem em ti

meu radioso sedutor

sem amor...

 

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro2009


publicado por ampulhetas1 às 01:17
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definitivamente


um dia ...
qualquer dia...
 
pode ser hoje!!

 
 
um dia percebes

que
definitivamente
 
já não consegues escrever
palavras de amor naquela
areia molhada
já desprovida de qualquer cor

que
não desenhas corações
 
 
um dia ..qualquer dia
pode ser hoje!
 

já abstractas esse desenho
um dia....

definitivamente
percebes o que não foste importante
 
 
um dia
definitivamente
percebes que não podes amar
quem não desenha como tu

 
 
um dia definitivamente
pode ser hoje!

 
percebes que
te disformaram o amor
 
cortaram o que sentias
com a agudeza duma lamina afiada
 
cortaram fininho
o que sentias...
não te restando mais que
nada...

 
 
assim
um dia
um dia qualquer
pode ser hoje!!

 
 
sentes essa fina dor do corte
essa dor que te adormecia
ficou fininha...

e

 
 
desenhando na areia o abstracto do teu sentir
já não sabes escrever as palavras do teu amor
já não desenhas corações

 
 
um dia ...
um qualquer dia ...
 
sabes que definitivamente
desenharas sozinha
os traços que sentes
 
que tu sentes

e que definitivamente
percebes que só tu um dia
sentiste
 
sem ajuda
sozinha
 
um dia ....
um dia qualquer...
pode ser hoje!

 
 
provarás a crueldade de quem se deixou amar
sem intenção de amar também
 
 

um dia ...
um dia qualquer
pode ser hoje !!

 
 
definitivamente
desistirás do que nunca
foi bem desenhado
 
do que nunca se desenhou a dois
do que nunca foi terminado

 
 
e hoje!
pode ser hoje!!
sentirás a dor do corte
fininho
com a lamina aguçada
 
e...
definitivamente

 
 
te acalmarás
devagarinho ...
 
definitivamente

Teresa Maria Queiroz/ Janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:16
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girassol




e quando esse enorme girassol

deixar de se esconder

envergonhado

de mim

quando já sem vergonha

rodar as voltas do sol

e me abraçar com as sua pétalas

amarelas de vida...

quando esse meu girassol

viver inteiro

sem metades

inteiro e livre

vai acompanhar o sol

na sua roda de vida

quando esse meu girassol

deixar de se esconder de mim

quando deixar de ser só meio

quando inteiro me quiser

aqui estarei

para o receber

e

com ele

redopiar

rodando ao sol que se move

quando me quiser mostrar a luz

assim estarei

aqui estarei

esperando

quando um dia ele achar

que já me pode chamar

que já me pode aparecer

inteiro

e sem falar

sei que

me vai dizer

que continua a nascer

para sempre rodar com o sol

que me acompanha

que me precisa

que tinha tido medo de mim...

medo

que de tanto me parar

eu

já não soubesse brilhar

mas ...

quando um dia deixar de só espreitar

nesse dia vou lá estar

para o receber

respirar um outro ar

para poder de vez me olhar

sem medo de falhar

quando esse meu envergonhado

girassol quiser

vai-me levar

até a raios de sol

que nem consigo imaginar

quando o sol raiar

eu estarei lá

com ele

para ele

só ele

me poder acordar

me rocordar

me poder sarar..

me fazer novamente brilhar

me rodar á volta do sol

bebendo os raios

num carrocel de luz

 

e ser o sol

 

outra vez...

 

Teresa Maria Queiroz


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secaram em mim...



secaram em mim
duas folhas
que
quase sem querer-mos

deixamos secar

assim...

em mim ficaram as folhas

em ti ficou


o voar ...

não guardas as folhas que deixámos secar
não as queres acarinhar

voas sem elas...

só eu as saberei guardar

eternizar

até o tempo me deixar...

e

se algum dia

as quiseres olhar

vais saber onde as podes

procurar

porque secas ...

embelezam

esse amor que um dia
estupidamente

deixámos secar

secaram em mim duas folhas

folhas

que tenho que guardar

para sempre as poder olhar

quando delas mais precisar...

sacá-mos em nós duas folhas...

secaram em mim

duas folhas

perdendo água

secaram

perdendo cor

secaram

em mimo amor

ficaram secas

estalaram!

quebráveis

frágeis

ao mais simples

e cuidadoso toque

deixei-as secar

de tanta água sair

secaram assim nos meus olhos

secaram assim nos teus olhos

secaram em mim duas folhas

que juntas...

secas se eternizam

como só as folhas o sabem fazer

secaram em mim duas

folhas

que vivem no meio do meu olhar

sem vida...

um dia

vi-as viver!

juntas

verdes

com água para brincar

com leitosa seiva para beber

com cor para admirar


secaram em mim

deixando-as secar

hoje se eternizam

até o tempo deixar

guardo-as

assim

com cuidado

para nada estragar

dentro de um livro qualquer

para se amarem secas

porque secas

ainda se podem amar

reviver

sonhar

ou simplesmente assim ficar

eternamente

secas

juntas

para sempre juntas

dentro dum livro que guardo

o livro é bom guardião

guarda esse seco amor

que secou em mim

que secou em ti

secaram em nós duas folhas

que sem sabermos

estupidamente

deixamos secar


 


Teresa Maria Queiroz/2009


publicado por ampulhetas1 às 01:15
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apatia


e nesta angulada apatia
que não se simpatiza
em nada
que me antipatiza
me horrorizo
 
nesta letargia

 
desfiguro o meu olhar
olhando
desfiguradas sombras
 
que tento observar
apática
tornando-as irreais ...


 
por mim
passam
fantasmas andantes
sem figura
não se definem
nunca

 
sem querer
sem medos
 
que me aterrorizam
 
sem dádivas
de nada...
 
e
 
sem nada pedirem...
absorvem-me
 
nesta minha apatia

 
lembrando-te
disformo-te
neste meu olhar
ambíguo
 
de sombras
rolantes
andantes
fantasmas sem medos
com vida em si...

 
nesta minha angulada apatia
me conformo
nesta letargia
nunca querendo conformar-me
em mim...

 
sem ti
para sempre
nesta apatia me conforto
sem nunca me conformar...

 
disformes
sombras que me cercam
observo-as
através de um vidro qualquer
que só serve para disformar
o que tem forma
o que é definido

 
nesta apatia
 
que torna tudo
confortavelmente
irreal
 
nesta angulosa apatia
estrangulada nesta minha letargia
não me conformo
nenhum dia...

 
 
disforme
disformo-me
disformando-te...

 
andando sobre sombras rolantes
 
fantasmas andantes que me transportam
onde tenho que chegar

sem ti....
chegarei
transportada por mim...

sem querer chegar a nenhum lugar
sem pensar que pode existir
algum lugar vazio
 
nesta minha apatia
não quero ir

vou obedecendo
a sombras rolantes
disformes
 
sem me rever
 
 
em nada
com nada
e
para nada
 
sem ti...

já sem mim
apatia
angulada
letargia estrangulada
 
para sempre...

não me vou
conformando...


Teresa Maria Queiroz/ Janeiro2009

publicado por ampulhetas1 às 01:14
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encerrado




encerrei um dia

em mim

tudo o que de ti provinha

tranquei-te

com cadeados fortes de emoção

sem segredos...

fui

feliz

alberguei um dia

dentro de mim

tudo o que de ti vinha

tudo o que me davas ...

guardava-te

como uma jóia

e assim ...

te encerrava

guardando

tudo o que não tinha

encerrava em mim

com ferrolhos de paixão

tudo o que imaginei em ti...

tudo o que um dia quis para mim

tudo o

que sonhei para ti

com fortes fechaduras do sentir

um dia encerrei-te assim...

para nunca mais poderes sair

e encerrado em mim ficaste

encerrado vives

encerrado em mim...

difuso em mim

encerrei-te com ferrolhos que não se abrem

que hoje já não consigo abrir

de tão fortes

e

sem segredo

não se abrem na sua simples fragilidade

encerrei-te um dia assim...

precioso para mim

encerrei-te com fechaduras de amor

e um dia

incrivelmente...

sem romper fechaduras

e a tua alma saiu...

volátil

livre...

como só ela

saiu de mim

deixando-te a ti encerrado em mim

com ferrolhos que não se abrem mais

que carrego com amor

desespero e dor

carrego...

porque já não sei abrir essas fechaduras de sonhos

esses ferrolhos de ilusões

fechaduras de paixão

não se abrem ...

fecharam para sempre

encerrado em mim...estarás

sem a tua alma volátil

esfumaçante e livre

que voa por aí

num céu que não conheço...

alma que não se encerra com ferrolhos

nem fechaduras de amor

lacrado em mim ficarás

e eu

sem te conseguir abrir ...

carrego o meu sentir

encerrado em mim

eternamente assim...

Teresa Maria Queiroz/Janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 01:13
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como uma pauta



como uma pauta rosada

pelo teu tempo...

uma pauta onde há

musica

que já não consigo ler

que já não consigo ouvir

só sinto essa tua musica

 

essa pauta que se entoa

silenciosamente no meu olhar

não a oiço...

só a vejo..

assim sem alcançar

essa musica que não te toca

que só de olhar já não entendo....

musica

que só de olhar me provoca

observo-te assim

atentamente assim

como uma pauta

solta e livre

linda...

musical ....

sem som

não a oiço

inacabada por ti

na tua música

não te oiço...

não deixas que oiça essa musica ...

que só olho sem entender

que se entoa

silenciosamente em meu olhar

essa musica que

não me ensinaste a ler

que

não me ensinaste a ouvir

nunca tocou inteira para mim

essa tua melodia ...inacabada

silenciosa aos meus ouvidos

demasiado

forte ao meu olhar

de tão bela a encontrar

nessa pauta rosada...

envelhacida pelo seu tempo

melodia no teu tempo

pautada em ti

inacabada em mim

que não sei ler

não ouvindo

procuro entender

sozinha...

um dia houve em que

aprendendo sozinha a tua música ...

desesperei

e ...

só olhei

sem ouvir

porque

nunca

me ensinaste a ler-te

nunca

me ensinaste a ouvir-te

e sozinha ...

no meu tempo

no teu tempo que não o meu...

desesperei-me

desesperando-te

não te ouvindo

ensurdeci-te

 

 

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 01:13
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embaciado



quando te vejo...

embaciado já

por trás de nada ...

salpicado de vida em gotas de água

salpicas

vivias momentos de salpicos...

embacias...

quando te vejo sem te ver

no fosco que nos separa...

quando te vejo assim

embaciado

embaciado pela solidão

em que te confortas sempre

eu...daqui

já não te consigo olhar

já não sinto a vida

por detrás desse teu nada ...

e se nada se vê

se tudo te embacia...

escondido

em sombras que fabricas

não te deixas ver

não te queres sentir

nunca

salpicas sempre...

as gotas dizem-me que houve vida aí

que um dia já eram mais que gotas

que as gotas se transformaram em rios que bebias

e hoje

já não deixas entrar as gotas que te davam de beber

que um dia te fizeram viver

e que a mim... me

davas a provar

um dia o sol desambaciou ...

essa parede

que embacias

constantemete embacias...

com a tua solidão

embaciaste

solidão de ti...

solidão de mim...

já não bebes essa água

não vês através daí

daí dessa fosca solidão

que te prende

que de mim não te desprende

essa fosca solidão

te desprende dessas gotas...

que do lado de lá não podes beber

já embaciado te vejo...

por detrás de nada

embaciado nessa louca solidão...

nessa vida descampada...

 

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009

 

foto gentilmente cedida por José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:12
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aconchegada assim



aninhando-se no tempo

aninhada só em si

aconchegada em fios tecidos de lã

observava encolhida

o que o tempo lhe tinha escolhido

fios brancos de cabelo

fios que se misturam

carregados de tempos

tempos de todos os feitios

tempos de grandes e curtas passagens

seus tempos

que perduram

balançava quieta aconchegada em fios tecidos de lã

silenciosamente se deixava ficar

esperando o tempo mandar

encolhida em todo o seu viver

abraçava para si

tudo o que a vida lhe deu a conhecer

acreditando num tempo que ainda vem

aconchegada

espera

espera por tudo

já não desespera por nada

assim fica aconchegada

em fios tecidos de lã

quente

aquecendo a alma que tem

aquecendo a vida que vive

recordando no tempo o que essa longa

vida lhe deu

 

sem mostrar a luz dos seus olhos

que de tanto ver

já não se querem mostrar

assim

aconchegada quer ficar

no seu tempo

com o seu tempo

esperando o que o tempo ainda lhe pode dar

aconchegada assim...

em fios tecidos de

 

e assim um dia

tal e qual assim ...

um dia ficarei aconchegada em mim...

 

Teresa Maria Queiroz/2009

 

foto gentilmente cedida por José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:11
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borbulhante



nesse borbulhar sem som

ouvia o tempo chamar

nesse borbulhar com fundo de cor

ouvia o tempo gritar

sentia o tempo passar

parada no tempo

fixa no borbulhar

só te via a ti

sentada em pedras duras

suavizavam

com o teu meu pensar

borbulhante esse bocadinho de mar

descansava-me no seu silêncio fantasma

descansava-me não ouvir e sentir

o tempo me deixava voar por ali

sentada

ali nessa pedra dura

fixava o borbulhar

fixava-me em ti sem som

perdida nessa beleza

de harmonia e cor

em silêncio sem barulho

o tempo deixava-me sonhar

fixava aquele borbulhar desse bocadinho de mar

enquadrado numa visão singular

o tempo deixava

esse borbulhar nunca se acabar

por instantes o tempo

eternizou o teu borbulhar

naquele bocadinho de mar...

 

Teresa Maria Queiroz/2009

 

foto gentilmente cedida por José Dias Correia


publicado por ampulhetas1 às 01:10
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entrar...para sair



tens que entrar

para um dia poderes sair

ou ficar...

mas tens sempre que entrar

para ver como é

para sentir o que será

para amar ou odiar

detestar ou adorar

um dia terás que entrar

ficar o tempo que o tempo te mandar

mas ...

um dia tens que entrar para sair

ou ficar...

mesmo não encontrando essa porta

essa porta de saída

lembra-te sempre onde ficava a de entrada

porque para saíres ...tens que entrar

para viver tens que entrar

no caminho por trás da porta

trilhas a tua saída

quem sabe

se não encontras

clareiras quentes

aconchegantes

belas

que de tão

apaixonantes

que te vão deixar lá ficar muito tempo

o tempo

que o tempo te quiser

até saíres...

amores

que te deixam ficar

o tempo

que o tempo quiser

mas tens que entrar ..para sair

vais ter que entrar

e um dia....

qualquer dia

num tempo qualquer

mesmo depois de saíres

na altura que o tempo quis

um dia

podes entrar outra vez

pensando que não vais sair

mas que ...

para sair vais ter que entrar outra vez

numa porta qualquer

entra sozinho

sem medo....

entra

para poderes sair

e um dia

se um dia saíres

quando saíres ...

saí sozinho

 

Teresa Maria Queiroz/2009


publicado por ampulhetas1 às 01:09
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a Lua brinca no céu...



céu negro
 
negro ausência de cor
incapacidade de reflectir a luz
 
céu negro
 
e a lua ..
 
essa lua luminosa brinca com o negro do céu
essa lua que nunca me desaparece
 
hoje brincou com o negro do céu
contrastando
na sua branca palidez
 
na sua branca palidez
brilha no negro dum céu que não sabemos
 
a lua sempre me espreita
fininha
pálida
como hoje
 
grande amarela como outras vezes
 
a lua brinca no céu
dizendo que me conhece
 
e..
na
sua branca palidez
grita-me que está ali
e que
inspira o amor
 
o amor que sabe
que tenho em mim
mesmo fininha
de luz
trás duas estrelas
para conversar
 
a lua branca
pálida
brinca com o negro do céu
 
desse céu ausente em cor
que não me reflecte luz
 
a lua brinca com o céu
conversando com as estrelas
 
e sussurra-me
que enquanto ela brilhar no céu
mesmo na sua branca palidez
 
vale a pena
acreditar
no inacreditável
 
a lua sempre me acreditou
 
 
teresa/janeiro2009
 
 
 
 
foto gentilmente cedida por José Correia Dias

publicado por ampulhetas1 às 01:08
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o amor adoeceu gravemente




preso por arames

esse amor adoeceu gravemente

de tanto sentir

rompeu o coração onde morava

de tanto pular

rir

brincar

chorar

e

gritar

de tanto crescer...

rasgou o coraçãoonde morava

esse amor

e

de tanta emoção...

esse amor

esse enorme amor

que já sufocando nesse enfermo coração...

adoeceu gravemente

sem força

já não pula

sem vontade já não ri

deu lugar ao vazio

no coração que rasgou

no coração onde morou

de tão vazio zangou-se de ser amor

de tão doente zangou-se com o coração onde morava

preso por arames

mudou de direcção

já não pula

não brinca

nem ri

em todos os minutos que passam

fica mais triste

mais magro

já não se alimenta de nada

esse amor adoeceu gravemente

e gravemente confunde os sentires

gravemente se opõe ao que um dia sentiu

esse amor adoeceu gravemente

quer curar-se dessa dor

deixou esse coração rasgado

quase sem nada

preso por fracos arames

costurado com linhas de esperança

hoje esse amor já não mora nesse coração

porque hoje esse amor

só tem vontade de ser ódio

porque ódio...

é quando o amor adoece gravemente

mas...

ainda há tempo e esperança...

curamos o nosso amor!

enche-lo novamente de alegria

tão enorme

que um dia terá que morar

não só num mas em dois corações!

costuramos esses corações com linha forte de esperança

alfinetes de alegria

botões de ilusão

salvamos o amor

que gravemente doente

e sem saber

se vai transformando em ódio...

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro2009


publicado por ampulhetas1 às 01:07
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não decorei o caminho




não decorei o caminho que um dia...

me levou ao teu infinito

não decorei esse caminho

hoje perdida

procuro saber ...

perguntando a grãos de areia

e a bocadinhos de mar

esperando em vão...

que esse mar

seja o mesmo

que essa areia

seja a mesma

que um dia me ensinou o caminho

até ao infinito...

esse teu caminho...

sentindo o toque dessa praia

duma praia qualquer

que um dia me levou até ti

que

me fez acreditar

que chegava ao infinito

acreditando em mim...

e...

acreditando

não decorei o caminho

não precisava

já tinha chegado ... não ia voltar para trás

eu não ia..

 

hoje

perdi o norte....

já não sei o caminho do sul

perdida entre areia e mar

espero em vão

que ....

uma outra praia qualquer

me mostre o caminho

para um outro infinito que vier...

carrego comigo lembranças duma praia de conchas

que procuro encontrar

que já não há

desaparecendo...

acabou ...

caminhando até ao teu infinito

não encontro os trilhos que tracei

que desenhei com conchas fechadas

levadas por esse mar

para outra praia qualquer

uma praia perto de ti....

infinita...

como tu és.....

 

 

perdi o caminho do infinito

já não encontro o teu trilho

não decorei o caminho...

 

Teresa Maria Queiroz/Janeiro2009

 

foto gentilmente cedida por José Correia Dias


publicado por ampulhetas1 às 01:06
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contrastes

Sábado, Janeiro 17, 2009

sempre sentindo o contraste

sempre o vazio dos metálicos

contrastes

o contraste que não quero

não quero contrastar o meu sentir-te

não contrasto o meu querer

contraste que

não me improvisa

esse

contraste

contrasta-me

afasta-me

mesmo sem querer

lindo em figuras

lindo em cores

em pinturas vivas

pesado no seu metálico ser ...

incómodo nos amares

incomodo no amar-te...

amores esses...

harmonizados pela osmose

aquela osmose do amor

que sempre contrasta com contrastes

a osmose que quem ama

sempre procura

encontrando sempre contrastes

que não deixam o amor ser uno

ser um só

...fundido num só ser

os contrastes que a vida nos deixa ver

apelativos ao olhar

inimigos do amar

o contraste não me improvisa

não me inespera nunca

é frio

é real

é estético

objectivo

autêntico

racional

sem se amarem..esses

contrastes só contrastam

esperando um dia

poderem contrastar o amor

esse amor...que puro seria

na fusão dos seus contrastes

na osmose de duas cores

 

Teresa Maria Queiroz/2009

(foto gentilmente cedida por José Correia Dias )


publicado por ampulhetas1 às 01:06
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fios de luz



em fios de luz
fininhos
parece que te vi brilhar
 
parece-me ver-te com vida
com vida
em ti outra vez....

 
brilhas em roxo
no escuro
ainda brilhas
 
no escuro a luz parece mais forte..
muito mais forte que tu

nestes fios de luz
 
que explodem emoções ...
parece que te vejo num deles
 
no mais fininho
 
 
vi-te ali mesmo no céu escuro
com fios de luz
 
a caminho do céu
a caminho desse teu eu
disparado para não voltar

 
senti-te nesses fios de luz
roxa
intensa
serias tu...quem partia assim ?

para longe de mim...
para perto de ti
nesses fios de luz
vi-te ...
com uma força que não era a tua

 
 
um dia ....
 
se os fios de luz voltarem
deixa que caíam na minha janela
 
 
um dia se lá onde queres ir
nesses roxos fios de luz..
 
se lá não for nada ...
 
volta

 
 
volta com a mesma força
a mesma que te fez lá ir
nessa velocidade de luz
nesses teus fios de luz
roxos
fininhos
parecendo frágeis
vivem
 
com a força da luz
 
 
hoje vi-te com luz roxa

hoje espero que um dia
caíam fios fininhos na minha janela
 
hoje espero que um dia
me chovam fios roxos de luz
 
que me possam inundar
encharcar
 
novamente de ti
 
nesse teu roxo
 
tão só teu...


 
 
 
 
 
 
Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:05
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sem ti eu vivia...




 

 

sem ti......

 

 

 

 

sem ti ...

um dia deixei de ver a cor

dias sem cor

como cega não via

nenhuma cor vi

nem vi a preto e branco

sem ti....um dia ceguei

sem ti...um dia deixei de sentir todo o perfume da terra

dias sem odores e cores

 

 

sem ti...um dia deixei de saber ao que sabem os sabores

dias sem sabores odores

e cores

dias sem ser

dias que não existiram

sem ti...esses dias não foram dias

sem ti...as horas não tinham minutos

sem ti ...um dia

vi um chapéu dum vermelho escarlate !

que me fez doer de cor

cheirei um perfume intenso de mistura !

um perfume misturado de odores apagados em mim

saboreei todos os sabores duma vez só !

confundidos de tão intensos

e ... sem ti...um dia

eu soube o que não sabia

que sem ti...eu vivia


 

 

Teresa Maria Queiroz / Janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 01:04
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depois de amanhã




 

depois de amanhã

pensamos

deixa que o amanhã

aconteça como quiser

depois de amanhã

não sabemos

não sabemos nunca

como podemos riscar

esse depois de amanhã

o amanhã

manda nesse depois de amanhã

 

depois de amanhã

não é nada ...

depois de amanhã

não sabemos se será manhã alguma vez

por isso

adiamos meu amor...

adiamos para um depois de amanhã

que só nascerá no amanhã que nós quisermos

não sabemos as cores

não sabemos a luz

desse depois de amanhã

deixa o amanhã chegar

só para que..

o depois de amanhã nunca mais seja

depois de amanha

e seja

o nosso amanhã

até depois de amanhã

até sempre

se um amanhã houver...

 

 

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro2009


publicado por ampulhetas1 às 01:04
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inconsequentemente



naquela brisa esperei inconsequência...
 
naquela brisa te esperei...
 
inconsequentemente
te imaginei naquela brisa
que passava suave
 
naquela brisa consequente de beleza pura
viva
naquela brisa de cor
 
sentada inconsequentemente te esperava..
 
beijava a brisa que de tão suave
apelava ao amor
ás carícias
á doçura consequente de quem ama
 
esperaria ..ali
sentada...
o frio da pedra dizia-me
 
que inconsequentemente te esperaria
esperei
como sempre te espero...
 
esperando mesmo a tua ausência
 
a brisa acompanha a espera suave sem consequências
a brisa acaricia a minha pele
a minha pele rosada como a brisa
a brisa vêm sempre
a brisa trás
 
trás sempre o que quero sem consequências
 
inconsequentemente te esperava
 
esperava .... por ti
por nada ...
 
sem ti a brisa rosa cobre-me de pétalas de amor
rosadas como só o amor sabe ser
 
sem ti...resta-me a brisa suave consequente
bela
 
que consigo deixou a cor rosada dessas pétalas que vão falar de ti
 
de ti...
 
que inconsequentemente me deixas-te ali ficar
 
sem ti.... e comigo ficaram as pétalas do amor
 
inconsequentemente te esperei....
 
consequentemente te perdi....
 
 
 
teresa/janeiro2009
 
 
 
 
foto gentilmente cedida por José Correia Dias

publicado por ampulhetas1 às 01:03
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inconfortavelmente








olhas o matiz do cinzento

que de dentro de ti

se transporta

para o céu grisalho

confortavelmente

não te queres sentir

não sentes a luz de outros céus

e nessa beleza matizada

hipnotizante da nostalgia que em ti mora

essa que não saí de ti...

funde-se com este olhar o céu

confortavelmente não te queres sentir

confortavelmente desconfortado

imaginas-te

com raios de luz

e

contemplas o conforto incolor

dentro e fora de ti

confundem-se

confundes o grisalho anilado do céu

respirando toda a sua mensagem

continuando assim...

só em ti... te confundes sempre

confortavelmente

perdido em recantos cinzentos

que teimosamente não queres colorir

olhando o céu alimentas o teu nada sentir

anulas o teu querer

confortavelmente olhas

sem esforço de ver

sem nada dizer

sem querer mais ser ouvido

daí de dentro te isolas

com essa nostalgia que alimentas

de paisagens grisalhas

céus imensos que te conduzem e te ditam

o que confortavelmente te alimenta

um dia ...

quando mudar o céu

um dia qualquer...

inconfortavelmente dormirás

para acordares

novamente inconfortavelmente

nessa maneira

que um dia escolheste como tua

essa maneira que confortavelmente não partilhas

inconfortavelmente

te confortas sem som

te confortas na beleza do grisalho do céu

 

Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009

 

foto gentilmente cedida ...por José Correia Dias


publicado por ampulhetas1 às 01:02
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imperceptível


Terça-feira, Janeiro 13, 2009





 
e na fúria de tanto analisar
na fúria de tanto querer
 
na fúria de tanto tentar perceber-te
na fúria de tanto me tentar perceber
me esqueço

 
que o imperceptível existe
existe só para percebermos
o que pode ser perceptível

 
na fúria de tanto querer
 
perceber
 
perceber tudo
para não temer
 
no medo de temer

nos esquecemos que
não temos que perceber o imperceptível

 
com fúria travamos batalhas inglórias
 
porque o imperceptível não se deixa nunca perceber
 
e nos sussurra ao ouvido
quase sem conseguirmos ouvir

 
estou aqui...e vou existir
só para me comparares ao que te esforças para perceber
e percebes

 
na fúria de perceber o imperceptível
nos afundamos
em tempo

 
no tempo
esse que gastamos para perceber o imperceptível
que não temos que perceber
 
esse não perceber que assusta
tem que viver
dentro de nós

 
e um dia sem querer
sabemos que nunca o vamos entender
 
ou simplesmente
não desistindo....
 
percebemos que existe o que há para não perceber

 
imperceptíveis sensações
imperceptíveis espasmos
imperceptíveis razões
imperceptíveis paixões
imperceptíveis amores

 
existem
para percebermos os perceptíveis

 
na fúria de tanto querer perceber
não percebemos
o que não tem que ser percebido
 
já sem fúria....
 
calmamente ..... já não queremos perceber


 
 
 
 
 
 
 
 
 
Teresa Maria Queiroz/ Janeiro 2009

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a chave do medo



 
 
encontrar a chave para fechar o medo
medo de ser
medo de desaparecer
de morrer
de perder
 
de sofrer
 
medo da solidão que espreita em cada lado
 
medo de ficar só no meio de tanta gente
 
 
medo das gentes
medo dos hábitos....
medo de amar
 
medo de amar demais
medo de não conseguir ser...
medo de não conseguir mais ...
 
 
ter medo!!
 
 
encontrar a chave para fechar todos os medos
que se podem fechar
 
e...abrir
 
 
porque vivemos com eles
com todos eles
 
 
medo de ser livre
medo de dar liberdade
com medo de ficar prisioneiro
duma liberdade qualquer que não a nossa
 
 
encontramos um dia essa chave
fechamos esses...
abrimos outros...
 
 
sem ter medo de nós
dos nossos sentires
o medo ... vai estar sempre lá
 
vai viver dentro de nós
 
medos velhos
dão lugar a novos
 
 
mas um dia
um dia qualquer
encontramos a chave para fechar os medos que nos levam a liberdade
 
 
ficam lá...
fechados ali
existindo
mas não livres
 
porque um dia temos que prender os medos
esses que até nos fazem viver
 
esses medos que nos vão fazer viver em liberdade
 
um dia prendemos
 
nunca podendo dizer que vivemos sem eles
 
os medos
que fazem parte até dos destemidos
 
 
o medo é racional
 
e racionalizando
fazemos com que se tornem cada vez mais pequeninos
 
 
precisamos deles ...desses medos
 
para sermos livres
livres sem medo dos medos que sempre temos
 
 
um dia encontramos a chave...
e só os soltamos quando nos forem precisos
 
 
porque um dia crescemos ...e crescemos sempre com eles
 
 
como dizer... não tenhas medo de amar
se os amores são cheios de medo
 
 
como dizer... não tenhas medo de viver
se a vida vive com medos
 
 
como dizer não tenhas medo de voar
se até de alturas temos medos
 
 
mas encontramos a chave para eles viverem ali atrás dessa porta ...
vão estar sempre lá
 
sossegados
 
vais senti-los lá ...sossegados
 
e tu vais aprendendo a deixá-los viver na tua vida
mas.... no lugar certo
no lugar quem tem essa fechadura
 
que tu podes abrir e fechar
 
 
 
não tenhas medo de ter medo
porque o medo nada te faz....
 
 
porque o medo ...
por vezes tem medo de ti...

 
Teresa Maria Queiroz/Janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 00:59
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gargalhada esvaziante



voltar a rir esvaziando...
começando a esvaziar ...tudo
 
começando a perder o ar que nos enchia de
nada...
 
voltar a rir esvaziando
 
e esvaziando... o riso torna-se mais forte
até soar gargalhante
esvaziante...
 
gargalhadas
 
fortes
 
esvaziando um ar que não ria
que já não ria...
 
esvaziamos sem ninguém ver o vazio que esvaziamos
 
rimos para sentir que esvaziamos
 
sentimos esvaziar quando começamos novamente a rir
até soar gargalhante
 
gargalhadas puras
que curam o vazio que esvaziámos
 
gargalhadas altas
que calam os ruídos que já não ouvimos
 
como crianças que riem...
de palhaços pobres
 
inocentes gargalhadas esvaziantes
puras
sem medos
sem ruídos calados
 
livres
sem sentimentos encarcerados
 
gargalhadas esvaziantes da dor
 
gargalhadas vivas de cor
gargalhas vivas de gente
gargalhas
esvaziantes
 
gargalhadas cheias de mim....


 
 
 
 
Teresa Maria Queiroz /janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 00:57
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aprender a voar





estou aqui

estou sempre aqui

sem pontes para passar

sem trilhos para trilhar

aqui me deixo estar

esperando que dali ou de acolá me venhas salvar

salvar do outro lado da ponte

não me deixando cair no frio do rio...

do outro lado de mim...

não me encontro em mim...não me encontro em ninguém

tudo estranho a ti ...

tudo estranho a mim...

aqui onde estou espero

que

apreendendo a voar

me descubras

com olhos de águia...

com asas de águia ...

que me possam apertar na doçura da sua penugem rara

que me proteja do ar e do vento forte que sinto ao meu redor

do frio das águas do rio...

uma águia que não passe pontes

nem trilhe caminhos

que do céu imenso se possa encontrar com as minhas gaivotas e conversar

elas sabem o que te dizer..

não te tenho que dizer as palavras

porque palavras não existem já

não emito sons porque o silêncio cala a dor

e encoraja o amor

o amor que nunca está perdido no ar

que um dia sem palavras...

sem barulho

sem anjos...

sem nuvens...

sem vendavais

vai chegar contigo

silenciosamente ...

embalado nas tuas asas...

espero calada

quieta

na esperança

que um dia aprendas a voar...


 

Teresa Maria Queiroz /janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 00:56
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injusto caminho




injustiça

é percorrer todo esse caminho outra vez!

injusto é o que nos leva a não avançar

porque não querendo chegar ao fim ....

com medo recuamos

com medo

injustamente...

podendo voltamos ao início

do colorido

que sabemos que vai ter outras cores ...

outros solos...

injustiça è saber que fomos lado a lado só até ao meio...

injustiça saber que podiamos chegar ao fim

e por tudo e por nada

quebramos esse caminho

injustiça ...de nós

feita por nós

injustos como só nós soubémos ser

passamos o caminho outra vez....??

pelo caminho..vamos bebendo os cheiros

pisando pensamentos

em folhas soltas escrevemos hinos ao amor

injustos fomos

ao rasgar as folhas

ao espezinhar as folhas

injustos fomos em não ouvir os sons que sentíamos

os cheiros que bebíamos

injustiça do caminho

do nosso caminho

agora como chegar ao fim?


não sabemos nem andar ...

muito menos caminhar

pelo injusto caminho que escolhemos as folhas não nos foram fofas

os cheiros não nos perfumaram

os sons ensurdeceram-nos

com toda a injustiça

por quem até meio já tinha chegado

tentamos ouvir os mesmos sons que um dia ouvimos por ali...

não ouvimos nada

os cheiros já não cheiram

os sons já não se escutam

injustamente

tudo se perdeu no meio do nosso caminho

 

vamos....

voltamos ao princípio...?

injustamente nos tiramos o que mais queríamos

injustos que somos connosco

balança que pende ...

injustamente?

voltamos ao princípio

o caminho vai ter outras cores....

mas ..

serão mais bonitas?

cheiramos outros odores?

mas ...

serão mais intensos?

vamos pisar outras folhas...

lança-las no ar e voltar a escrever o nosso hino

voltando ao princípio...

sem injustiças

merecemos...

repara!!

olha para o alto ..agora já não se vê a copa dessas arvores ...

agora as folhas já não redopiam á nossa volta

agora .... é só agora


 

Teresa Maria Queiroz/janeiro 2009


publicado por ampulhetas1 às 00:55
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em tuas mãos...marioneta

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009


em tuas mãos marionetas
 
mãos suaves de quem conduz fios de amor
 
hábeis
 
em tuas mãos ...
marionetas vivas de sentimentos puros
 
dedicadas a ti
 
puxas...
 
marionetas que só se reconhecem ..em tuas mãos
 
nas tuas mãos vivem
com tuas mãos fazes viver marionetas
de encanto
marionetas despidas de si
marionetas pensadas por ti...
 
criadas dentro do teu eu
 
nas tuas mãos ...marionetas de amor
presas com fios de dor
 
tão inseguras ...marionetas sem ti..
 
fios de brisa inconstante
nas tuas mãos ...marionetas de desejo
que manipulas habilmente ...com amor
 
habilmente ..tocas
puxas
partes
embaraças
rompes
....
os fios que tem prendem a elas
 
os fios que te prendem ás tuas marionetas
 
não sabendo ...
brincas...
 
não sabendo dás-lhes vida plena
 
habilmente...com tuas doces mãos
 
movimentos perfeitos
 
levantas.... deitas...
fazes sorrir marionetas
 
...fazes chorar marionetas
 
...fazes viver marionetas tuas
 
marionetas presas a ti por fios inquebráveis
 
fininhos
agudos
e insistentes
 
fios teus
criados por ti
...nas tuas marionetas
 
que vivem
que ensinas a amar ..a viver
um amor de vida de marioneta
 
...como uma marioneta vive para o seu manipulador
...para o seu dono
...o seu mestre de sentires e movimentos
 
marionetas ...em ti
marionetas para ti
 
nas tuas mãos marionetas
que amam
 
a quem lhes dás o sentir mais apetecido de quem vive
 
nas tuas mãos...marionetas que vivem a maior emoção existida
 
marionetas que choram
que riem
que amam
 
 
marionetas com dono
marionetas sentidas de ti
 
 
em tuas mãos..... marioneta
 
 
 
 
Teresa Maria Queiroz/ janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 00:54
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estranhamente me perdendo...





estranhamente me perdendo....
 
estranha igual a mim
 
estranha passando no meio de corpos brancos e baços
 
olhando-me..... olham-me
 
não me reconhecem
estranhamente me sinto no meio de tudo ...em nada
estranhamente
reconheço nos olhares a inlucidez de mim
 
a inlucidez de ti...
 
estranhamente nos olhares não me compreendo
 
não te compreendo
 
perdendo-me ...em mim
estranhamente
me encontro em ti
 
por cada segundo ou momento vivido intensamente em ti
estranhamente não me reconhecem
estranhamente não me conheço em mim...
 
estranhamente não me ouvem...não me ouves
 
o estranho silêncio instalado no meio de todos...
ninguém sabe que não te oiço
olhando-me ..não sabem...
 
perdendo-me em mim...
estranhamente me recordo
perdendo-me em ti
 
ensurdecendo...estranhamente te oiço
do nada...
 
estranhamente....
 
corpos estranhos motridos por nada ...todos brancos
sem cor
embaciados
nada de mim...
 
estranhamente me perco
nesse meio ...nesses corpos
 
estranhamente te recordo
estranhamente nos recordo...
 
abrindo caminhos no meio de tantos corpos
procuro o teu
 
estranhamente invisível
intocável
inexistente
 
acusando-me de ti
por mim
 
estranhamente me ignoro
sempre...por ti
não existes
 
não tens massa ....massa de corpos que me trespassam
 
estranhamente já não és
 
estranhamente me penso
 
voltarei a mim....
voltarei sem ti...
 
voltarei
 
estranha
impensada por ninguém
 
estranhamente voltarei a perder-me em ti...
 
ou
 
em mim...
 
estranhamente..me perdendo no mesmo
 
erro ...em ti
 
 
 
teresa/ janeiro2009

publicado por ampulhetas1 às 00:52
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insistência



 
 
 
 
 
e pela cruel insistência
como de um pêndulo que insiste em nunca parar
 
 
e pela cruel insistência de um ponteiro que determina tudo
 
 
com a mesma cruel insistência ficamos assim parados no fio
 
com a insistência da nossa existência
 
da existência que insiste em que existamos assim
 
como fios de pêndulos
que compassadamente ditam os pensares da nossa insistência
 
insistência de querer ser ...
insistência de amar...
insistência em viver toda esta existência
 
 
existimos por insistência de ser..
de querer
 
sentimentos insistentes que nos fazem existir
numa existência em que a dor insiste em existir
 
incontrolável existência insistente
incontrolável amor existente
incontrolável ser em nós
incontrolável vida insistente em nós
 
insistindo em existir
existindo .... insistindo
 
insistindo em existir
 
 
fico
queda...quieta
 
não querendo insistir em ti
insisto na minha existência por ti...
 
 
irracionalidade de tanta insistência
faz existires sempre em mim
 
 
enquanto exista
enquanto insista em deixar de existir
em deixar de te ter em mim
 
 
 
insisto-me
 
 
 
 
teresa / janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 00:52
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um dia é...

Sábado, Janeiro 03, 2009


um dia é ...
um dia é sempre
porque o tempo manda
um dia é..
 
não sabemos nunca quando chega
não sabemos nunca o que nos vai fazer chegar até lá
 
passando por sentimentos puros e reais
solidão
desespero
esperança
desilusão
 
quando acabamos de cozinhar tudo numa panela de ferro
de bruxas e magos
quando deixamos fervilhar
o tempo suficiente para apurar
 
quando juntamos finalmente a tal especiaria que faltava
quando assim acontece...
 
um dia é
 
sem receita de cura de estados de alma
uma funciona
 
tudo num caldeirão... de magos , bruxas ou druídas
 
a céu aberto
a alma aberta
 
o tempo que o tempo quiser!
tudo misturado
lentamente cozinhado
 
e um dia é
um dia está pronto o prato ...a iguaria
que nunca mais nos vai deliciar
 
sem aroma
sem consistência
 
depois do tempo ter tempo de cozinhar
um dia ... depois de pronta
 
por artes mágicas de magos...
desaparece no seu fumo incolor
 
um dia é!
 
teresa/2009 janeiro

publicado por ampulhetas1 às 00:51
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entrelaçando-me



entrelaçando-me em mim
 
só em mim
no fim do final só nos entrelaçamos em nós
 
não em dentes nem roldanas que encaixem na confusão dos nossos entrelaços
 
um tempo inteiro tentando entrelaçar com fissuras em roldanas...que não servem
 
no fim do final
entrelaçamo-nos em nós
só em nós
 
desde sempre é só em nós
 
existe um lugar aqui...
em que os entrelaços são breves e doiem a encaixar
 
no fim do final não haverá entrelaços puros
não haverá entrelaços suaves ...que deslizam
 
no fim do final entrelaçamos sempre em nós
 
únicos detentores dos dentes ..rodas... e espigões que encaixam
 
encaixam sempre em nós no fim do final
 
no fim do final não há irmãos de armas com encaixes perfeitos
 
no fim...contamos sempre com o nosso perfeito encaixe
perfeito que nos atormenta
perfeito que não encaixa
 
de tanto tentar entrelaçar
desenlaçamos sempre
laços sem dois fios
no fim do final...
 
não te enlaças ...não te entrelaças em mim
no fim do final..
 
tal como eu só te entrelaças em ti
 
 
 
teresa/janeiro 2009

publicado por ampulhetas1 às 00:50
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tentando arrancar

Terça-feira, Dezembro 30, 2008


quando queremos apagar aquilo que não se pode

apagar tudo o que fomos antes

esquecer o desamor ...

destruir o amor..

esquecer a indiferença de quem nunca nos devia ser indiferente

de amor ódio nos construímos
até á perfeição do mais doloroso

nunca conseguimos deixar de pensar

nunca conseguimos existir
deambulando por aí
maltratamos sem querer

sem culpa de termos sido um

dia maltratados sem querer

angústia permanente
compensada com sorrisos que fogem

compensada com amores que não sabemos guardar

ódio de não saber guardar o amor

amar como..?
se nunca nos ensinaram a amar

amar como..?
se nunca nos beijaram as lágrimas escondidas
quando meninos

amar como...?
se nunca o amor morou na nossa casa

amar como

se nunca nos disseram que a vida é feita de amor e não de dor

tentar ...
mesmo assim tentar

culpar
culpar qualquer coisa
culpar alguém
sem coragem de culpar ninguém

vida de amor ódio
extrema
sempre extrema e contida

meu amor como te posso amar a ti
se tanto queres o amor que não sei existir

sem aprender fiquei
e te culpo sempre...
onde estavas ...quando sem saber que existias eu tentava não arder em cinzas

onde estavas ...
não sabia que existias

quando nas noites que não acabavam eu me sobressaltava.... eu menino não queria crescer

onde estavas...
quando como um fantasma vivi
quando como um fantasma me olhavam

onde estavas meu amor quando eu ..
sem saber porquê não podia falhar

hoje não te encontro
assim como ontem não te encontrei

hoje perdi-te numa tempestade ... em que sobrevivemos...
pergunto-me para quê ...

hoje odeio-te ....só porque não sou capaz de te amar
hoje
como em todos os dias da minha vida...

hoje...
só quero começar a viver

não sabendo como isso se faz

hoje..
como tantas vezes só sei que não existo

tentando arrancar este corpo de mim


teresa / dezembro 2008

publicado por ampulhetas1 às 00:48
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o buraco

Domingo, Novembro 30, 2008


buraco branco

de tão vazio ficou branco ...de tão fundo fica pálido

esse buraco que teima em se alojar ali...no sítio onde mais se conforta

esse buraco que é companheiro da solidão

e quando ela nos visita... ele vem sempre atrás

tomam chá dentro de nós os intrusos que se alojam como se já fossem da casa

 

o buraco trás bagagem para ficar ....

de quando em vez a solidão desaparece ..mas deixa lá o buraco para marcar o seu lugar

quando está sozinho...quando ela saiu por uns momentos

ele fica mais seguro de si ...

e não há como o encher!!!

ali fica á espera que a solidão volte para ele...

fica e pesa....

a cor branca quase gritante do buraco...contrasta com a solidão que é baça....

complementam-se ...e esses sim vão viver os dois felizes para sempre

 

sempre a mudar de poiso...sempre a mudar de coração ...como vampiros

alimentam-se de tudo o que encontram no coração

gostam das emoções mais fortes....essas....

têm um outro paladar

comem tudo

remexem a casa toda ...apoderam-se de nós assim num instantinho.....

quando damos por eles ...custa arrancá-los da nossa casa de tão instalados

de tão presentes

são frios ...e aquecem-se no nosso calor ...parasitas esfomeados

larápios que escolhem...o que é mais fácil

 

teresa

dezembro 2008


publicado por ampulhetas1 às 00:46
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véu vermelho


Quarta-feira, Novembro 26, 2008




quando o fumo se confunde num véu vermelho

quando a cor realça tudo o resto

quando já pensamos vermelho

e deixamos as transparência

os baços ..os imperceptíveis

quando os deixamos ficar vermelhos

quando os deixamos viver...

 

é quando já sentimos o sangue a correr

sentir a vida ao pensar

quando olhamos o fumo do cigarro ...vermelho

quando o vermelho nos acalma

queremos chegar lá sempre e muito depressa

passamos por fumos de muitas cores

até chegar ao vermelho

quando o vermelho se transforma em grito de vontade ou de silêncio

quando os sapatos são vermelhos

quando deixamos de ter a vermelhidão nos olhos

e só contemplamos o vermelho

quando o vermelho começa a ser a nossa cor

vermelho que já não é de paixão ...mas de vida e força

quando já nos sentimos assim...

pensamos que se calhar o vermelho poderia ser outra cor

vermelho de risos escancarados...vermelho de prazeres desejados

vermelho de amores vividos

vermelho de fumo..

quando a vida se transformar em fumo..ele tem de ser vermelho

para se ver!

para vermos vida á distância

para sentirmos a distância

para que a paixão não se perca de vista ...esfumaçante...

quando a vida se transforma nesse véu vermelho ..é porque vivemos...

teresa2008


publicado por ampulhetas1 às 00:45
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redopio

Domingo, Novembro 16, 2008


redopio..redondo em espiral
redopio estonteante ..redopio ..de voltas e voltas
 
redopiar até cair ..e não me conseguir levantar
redopiar na vida a várias velocidades..
 
desço e subo por esta escada..
com medo de elevadores que podem encravar a vida
 
que nos podem prender..
 
nesta escada em redopio..controlo a velocidade
controlo tudo
tenho ideia que sim...
sabendo que não...
não se controla o redopio...redopio que não comandamos
 
redopio...do coração...da cabeça...do saber..
esse vai de elevador...esse redopio
 
pode sempre encravar ...pode sempre parar
e não andar ...nunca mais!
 
redopio
redopio...por esta escada em espiral...que de tão estonteante ...me descansa

publicado por ampulhetas1 às 00:44
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decocupar!!


Quinta-feira, Novembro 06, 2008


desocupar ..desocupar ...
 
termina o tempo não pode ficar mais tempo ocupado ..tem de se desocupar ...
 
desocupar-te de culpas...
desocupar-te de sonhos...
desocupar-te de promessas...
desocupar-te de vidas a fingir...
desocupar-te de mágoa ...
desocupar-te de apatia....
desocupar-te!!
 
ocupado assim...nunca mais quererás estar ....
 
vamos tentar ...vamos tentar desocupar-te...sim !!
 
sim...depressa que está alguém lá fora ...não demores mais tempo ocupado
 
desocupa-te ...desocupa-te de quem te tranca o ferrolho... de quem te muda a cor..
 
de quem esbate o teu vermelho vivo....e te transforma num ferrolho cinzento ...já usado...já gasto e consumido..
 
no qual ninguém quer pegar...
...procura outro com mais luz...mais cor... mais fresco...mais húmido...mais vivo
 
não tão ocupado e cinzento!
 
desocupa-te depressa ..a correr ...sim....
agora vais ter de correr
 
mas... desocupa-te e abre essa porta ...já velha
com o ferrolho velho e perro...
 
vamos tentar abrir...mesmo que seja necessário partir !!
 
porque lá dentro por trás desse ferrolho...há luz
 
há cor...há o amarelo da lua
há o vermelho da paixão que te pode dar de beber outra vez
 
vermelho líquido e fluído...escorreito...de fácil absorção...esse vermelho está lá dentro
 
abre a porta ...e não entornes ....
 
guarda!!
 
 
 
 
novembro 2008
teresa

publicado por ampulhetas1 às 00:43
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Estático



E quando queres que se movimente outra vez...

quando precisas urgentemente que bata....que compasse...

que vibre ...que se oiça...

encontras o interior estático...

apavorado...de tanto movimento anterior

sabes que não vives sem o seu compasso ...sem a sua força ...sem o seu sentimento

parece que quase morre.... antes de despertar outra vez

fica estático...não vazio...cheio e imenso.

mas estático...assim ...sem se mexer

sem saber o que fazer ...

porque sabe que se assim não ficar....qualquer movimento pode o pode fatalizar...

e ...não vai amar outra vez..

por isso o sinto estático...

com medo de bater depressa demais ...de correr depressa demais

não há meio termo....estático...e a correr ...meu coração.

nunca aprendeu a andar ....nem a gatinhar só a correr.

assim fica estático...com vontade de explosão!!

e comigo a olhar para ele ...para o manter sossegado ...e assim devagarinho ...quase quase sem se mexer....

 

até quando.....

não sabemos

 

 

 

novembro 2008

teresa


publicado por ampulhetas1 às 00:42
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amachucada!

 

Segunda-feira, Novembro 03, 2008


papel amachucado..
papel que nunca mais alisa
vincado...enrugado...
 
nunca mais imaculadamente branco ...sem dor...
 
papel dorido ...amachucado o sentimento..amachucado para sempre!
 
amachucada a alma de papel...
 
nunca mais desvincada de rugas
nunca mais lisa e macia...
 
áspera pela fúria de quem amachuca
 
rugosa pelo acto ...de que a amachucou
 
alma de papel...
serve para reciclar.... esta alma de papel
 
agora ...só pode escrever histórias...entre as rugas que a marcaram...a..
 
 
minha alma de papel

publicado por ampulhetas1 às 00:41
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nunca se perde a Lua...

Segunda-feira, Agosto 25, 2008


pensar que te vou perder ...é-me insuportável

pensar que podia ter sido tudo diferente... angustia-me

 

pensar que não consegui fazer-te feliz ....entristésse-me

 

pensar que nunca consegui estar ao teu lado... paralisa-me

 

pensar em ti.... alegra-me

 

pensar em nós.... desilude-me

 

pensar em mim...enfraquece-me

pensar no resto da minha vida....assusta-me

 

pensar nos nossos momentos..... enche-me de alegria ...e saudade

 

há tanto tempo já... anos em que por vezes me senti feliz... não esqueço esses momentos, que tiveram a grandeza de toldar todos os momentos de incerteza
de pânico
de medo...

 

faz agora um ano falava com a minha Lua... a minha Lua ouvia-me... Agora já não ouve...
já nem a consigo ver :(

 

Quando a vires, assim grande e amarela,lembra-te de mim...
lembra-te que foi ela que me ouviu quando eu mais precisei.

 

Lembra-te que ela te conhece tão bem... Porque eu lhe contei tanto de ti....

 

ela conhece-te .
a mim já não me quer ouvir mais :( se calhar ela esconde-se de mim...porque já não acredita neste amor....

 

Se ela me aparecer outra vez...assim grande e amarela...
eu vou pensar que me está a querer

dizer que ainda me pode ouvir....
porque eu também acho que , depois de tudo aquilo que sabe,não me vai desaparecer para sempre.

 

a minha Lua.... adoro-a ....
nem me perguntes porquê ...



teresa 2008

publicado por ampulhetas1 às 00:40
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a solidão é baça....


Domingo, Junho 08, 2008




A solidão não tem cor...nem sequer é transparente. é baça.
 
A solidão não precisa de luz para viver ...nem do Sol
 
Vive na sombra...não precisa de nada .
Nunca vive sozinha...
A solidão está sempre acompanhada...
Tentamos matá-la muitas vezes
Sentimos algumas vezes que morreu....mas não morreu
está só a hibernar...
Porque a solidão não morre...e não vive sozinha.
Quer sempre a nossa companhia...não passa sem ela
E nós... vamos passando por aqui...
com medo dela
Com medo da sua companhia... sabemos que a sua companhia é sempre certa!
 
A solidão não morre...hiberna.
Quando menos esperamos ...acorda!
...e instala-se na nossa sala...
na nossa cama
no nosso canto
está por todo o lado...
 
Porque cada vez que acorda ...acorda com mais força..
Quando todos se foram embora
Os amores .....Os desamores.....
 
 
Ela chega
E não precisa de luz para viver...
É baça ...não se vê nada através dela
 
Por último..podemos sempre contar com ela...ela nunca falha...
está sempre lá
 
 
 
 
A solidão é baça.... mas não se importa.
 
 
 
 
 
 
 
teresa Junho 2008

publicado por ampulhetas1 às 00:21
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O caminho



sempre um caminho,sempre um sítio onde chegar
todos os dias...
cansa ...todos os dias caminhar...


mas caminhamos caminhamos sempre...não paramos !
parar nunca!

dizem...

mas quantas vezes caminhamos mais ao parar?..
caminhamos para hoje... sempre para hoje .
hoje é o futuro ...caminhamos sempre
sem parar
a correr
devagar
parados....
sempre a caminhar num fio fininho
de onde por vezes temos medo de cair
outras vontade de saltar....

mas caminhamos pelo caminho fininho...
para chegar
porque é preciso chegar ao fim...ao fim deste caminho!
vem comigo... há espaço para ti neste caminho fininho

vamos juntos!

chegamos mais devagar....mas certamente chegamos.

 

teresa

Maio 2008


publicado por ampulhetas1 às 00:18
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