Segunda-feira, 30 de Março de 2009

caminho recto


Tracei rectos e delgados caminhos, por cima de confusas cores, tracei caminhos direitos
pelos quais nunca caminhei...
Confundida nessas misturadas cores que me embalavam de brilho e eboliam permanentemente o meu pensar...

Não caminhei por finos caminhos,que de tão rectos se acabavam, que de tão direitos se sobrepunham e mergulhei no fascínio
dessa colorida tela, pintada de tons de vida,
soltando livremente o pensar, que me absorvia num sentido pleno e belo como tudo o que brilha, cheio de cores e luz.

Não caminhei nessas linhas tão rectas e amarelas, sobrepostas a um pensar
que não se clarifica num negro....

Que vive o harmonioso emaranhado de tons que me delicia, não prendi o meu pensamento nessas duras rectas sem sentido, e livremente soltei desejos de cor,
pensando em todo esse esplendor de tons ...

De um berrante e ondulado amor que não aprende a caminhar recto...



Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

quadro: acrílico sobre tela
Horácio Queiroz

publicado por ampulhetas1 às 01:31
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entrei

Entrei por ali, por essa calorosa porta, esperando o conforto que o quente me daria, entrei por ali um dia...
Essa afável porta que me convidava a pensar viver mornamente uma tranquilidade, calda e de tão tépida
aterradora...

Entrei por ali, depois da porta, esperando...uma vida que sempre desejei fervorosa. Entrei cálida e docemente, pisando um novo chão seguro, recente e já conhecido...

Vivendo um princípio de tudo, por aquela porta, não previ um terminar de nada porque assim pintaram a minha entrada, tranquila e vazia de afectos...

Segura entrei por aí, numa casa cheia de sonhos mornos, não tardei em sair para ferver de emoções que não contive.
Naquela casa, depois daquela porta, assim me vi, plácida... e assim me viram devagar, demasiado devagar...e pentaram assim o resto da minha inacabada história.
Entrei morosamente, e saí fervendo buscando felizes e raros queres, já sem a tranquilidade que não soube viver...saí



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:31
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abraço


Abraçando-te, anseio furiosamente despregar os gélidos pregos desse teu sofrimento.

Num abraço forte, quero arrancar essas escápulas que sem quereres te aprisonam, e
só com o meu abraço, te posso envolver
numa indelével cura de amor...só nos meus braços, te posso agarrar e tentar curar qualquer dor, afagar serenamente essas fundas fridas, essas que te abriram...
Destruindo
os ressentimentos, preservo o teu passado e delicadamente,com força, quero-te abraçar num futuro, devolvendo-te aquilo que és...
Abraça-me também a mim, liberta-me ...prende-me nos teus firmes braços, agora ,já com a tua límpida vontade de me amar...
Segura-me, não te desprendas de mim, eu com força te abraço, seguro-te...e deixo que possas ver, deixo que possas ser!
Viver a vida que ainda existe para lá do que já foste, segura-me...abraça-me!
Vem comigo...envolve-me em ti ,vive !
Mostra-me o outro lado do teu sentir...

Agora já liberto desses frios pregos que te prendiam, arrancas as escápulas que sempre te amarram ao que não queres...
Vive livre!

Com o meu ameno abraço, devagar...sei que te posso ajudar a libertar, e nesse abraço poderemos recomeçar, a viver o que não houve, o que não foste, o que eu também não fui.

Nesse apertado e livre abraço, abraça-me outra vez com força e poderemos tenta recomeçar a viver, a vida que ainda não sabiamos haver...abraça-me...livre...



Teresa Maria Queiroz/ Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:30
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esquecido



esquecido de tudo... um dia endontro-te assim, ancorado
esquecido do teu passado.

Encontr-te envolto num musgo podre já esquecido de como se rema, estás ali esperando que te guiem por aí...

Já sem vontade, não sabes qual o rumo da tua vida e sempre esquecido de tudo, encontr-te ondulando em águas paradas.
àguas
que já não se agitam á tua volta, que deixam as algas te enfeitarem , que deixam que se colem e sujem a tua frágil alma
...


Esquecido ancoraste por aí, e assim ficaste parado no teu tempo imaginado...já não esperando por nada, sozinho afogaste-te em sujos ninhos de musgo, apodreces sem querer, nessa lama parda.


Lembrando-te do que já foi, esquecido ficarás de mim e sempre esquecido ficarás da vida,
sem rumo não rumarás, por já não saberes, por um dia teres perdido o teu norte,não entendes quais os pontos que tens de seguir...

Agora, aí
ancorado, já não sabes zarpar com ancora, já sem mim...
não te amarram as ancoras, que te saibam liberar
Olvidado
de tudo, envolto em nada ,ancorado em ti...assim estarás e assim ficarás esquecido de tudo...
Um dia te encontrarei, e soltarei a velha corda que teimosamente te amarra a ti,
deixando-te apodrecer nessas fétidas águas paradas...




Teresa Maria Queiroz /Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:30
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engolida


Engolida, com a brutal força dessa onda,não posso flutuar num espaço que não concebo,
que não consigo.
Engolida por uma vaga irreal, não encontro bóias reais que me possam segurar, na força
neste estrondoso mar.
Dentro deste gigantesco remoinho que me engole, já sem força não flutuo nem me seguro, engolida.

me canso a nadar, contra esta forte corrente de mar...

E deixo que a onda me engula, deixo que o mar me afogue, deixo que a vaga me aferre,
deixo que sereias me acurem assim...
Na força dessa onda, que me traga sem paz, deixo que búzios me acolham com amor...
deixo que ninfas me vejam com tanto rigor, na força dessa onda que me engole
não aprendo a nadar, neste mar...não flutuo...
e caindo...espero que nesse grande fundo azul, me esperem e me consigam amar, porque
certamente
chegarei e...com sereias ficarei, aprendendo a nadar
vivendo plena de mar...com ninfas brincarei, aprendendo outra vez a gargalhar.

Nessa onda que me leva, já querendo, vou para aprender a ficar...


Teresa Maria Queiroz/Março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:29
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transparência



Nessa transparência, julgo ver o que me dá de beber e a vida julgo provar, sentindo-a.

O tinto quase purpura, quase roxo, quase belo

Quase sempre...me dará de beber, e nessa transparência colorida de sangue e vida, bebo sofregamente, sorvo o néctar de cor e olho a luz desse meu roxo...de purpura imaginada.

Bebo nessa transparência, tornando a vida real, bebo saboreando cada gota, sofregamente bebo...
sabendo que não me acaba essa cor, sabendo ao que me sabe saciar a sede, nessas transparência, bebo sorvendo golos de amor...

Vivendo imersa em cor, essa cor de vida e paixão, que me entorpeçe depois de já tudo beber...rio desalmadamente, rio colhendo vida em cada gota.

Alegro-me nesse néctar que me alimenta, nesse sabor que me delicia...sabe-me a vida vivida, sabe-me a esperança contida numa outra cor já sonhada
Trocando as cores, entorpecida...bebo ao belo do amor, e já rindo, brindo e alimento uma qualquer fugosa paixão que anule aquela suposta dor
...
sabendo que paixão é vida, não recuso essa ilusão...de sabor e cor...



Teresa/Março 2009

mais uma fantástica foto de
José Dias Correia...obrigada Zé

publicado por ampulhetas1 às 01:28
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espelho


sem reflexo não te reflectes na imagem dum espelho
que já não te olha,
sem luz não te vês, já não te sabes ser.
Sem face nada és e voltado de costas ao mundo,não vês o reflexo que já não tens
procuras...
Procuras um espelho que só te imagine,apagado
não reflecte a tua imagem, sem alma não figuras,
sem alma não te vês.

Voltando as costas ao mundo,escurresses, apagas-te a qualquer luz, e sem alma não te verás no reflexo
do espelho, e...sem retrato que te veja, ninguém te verá, ninguém saberá quem és
e...já não te sabendo, deixarás de existir no reflexo duma qualquer luz, mirando-te a um espelho que não te vê, julgarás que á nada tens para contar, que já nada consegues viver.
Sem alma, escureces qualquer reflexo puro de luz e...não querendo sabes que já não existes e não te sabendo não te entendes...

De costas voltadas ao mundo,desapareces sem saber, ansiandopor reaparecer...

sem alma não te vês,já não sendo não te reflectes, já não amando não vives,já sem alma....nunca mais saberás chorar


Teresa Maria Queiroz/março 2009

publicado por ampulhetas1 às 01:28
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nascida


Como vida nascida de pedra inerte, vivi a luz da flor que quer nascer, crescer sem medo
quase sem se aperceber.
Nascida do nada, cresceu um caule de flor
e transformou o seu amor numa cor amarela,
sem vida,nascida da pedra inerte, respirei o ar que não tinha, voei por um ar que não havia...
Mas sem vida vivi...
Como duma pedra inerte que deu flor, flori

berrante de cor,sempre ávida de amor e luz, incrédula em qualquer dor, sem vida nasci
para um amor...que só vivia de dor...com vida nasci sem querer, duma pedra ausente de cor, com vida colori um amor que não vivia...com vida respirei um amor que sufocava...
Com vida bebi
um amor que se secava, mas com vida nasci duma inerte pedra, que na sua áspera dureza
nunca me deixará morrer de dor, procurando a luz que me conduz, cresço berrante de cor




Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:27
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morna...



Banhei-me em água tépida, sorvi o morno doce que me deu a provar.
Banhei-me em água lenta, que devagar se escorre, e de translúcida me encharca
de emoção...

Banhei-me na doce água do carinho, molhando-me com as suas lágrimas mornas,
banhei-me sem paixão numa água assim,
que de tão tranquila me afaga uma fervurosa solidão que dentro de mim se coze...

Banhei-me nessa água púrpura de emoção,banhando-me suavemente...
A morna água que me trás essa infindável recordação, do passado que sou...
Banhando-me nesta doce água de ternura, encho-me de esperança do que ainda serei

Banhei-me numa água pura, que de rancores já não se recorda, que de tépida me afaga e
que de morna me transtorna, na fervura desse passado que sou...

Arrefece-me devagar, suavemente me lava e tão suavemente me cobre, mornamente me protege da ebolição desse amor, já não querendo me amorneço, nesta água que se escorre lenta e forte, banhando-me numa suave e insegura ilusão



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:26
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orvalho

Numa manhã de orvalho,vi a forte cor que me feria
com um doce olhar,numa manhã soalheira,viveu esta pétala de flor.
A vida deu-me esse orvalho, que eu não queria provar, nessa manhã que não esqueço a vida deu-me a água que preciso de beber e que tanto quero provar, para qualquer dia...podervoltar a sonhar, tal como uma pétala amarela
vivo a luz que me quer dar cor.
Tal como uma pétala, bebo aquelas doces
gotas poisadas como uma pequena flor,
vivo a Primavera sem medo da luz.
Tal como uma pétala que seduz, seduzo-me por este deliciar de cores com a água e a vida do qual é feito o amor...
Nessa manhã,vivi a forte cor do resto da minha vida, vivi a cor que me trás o calor que mais preciso, para nunca mais gelar

Nesta Primavera, tal como esta pétala vou beber e saciar, beber as gotas de um amor
beber essas gotas de orvalho, saciando a sede de amar, sorvendo essas gotas de orvalho
que assim me aparecem
sem eu nunca esperar



Teresa Maria Queiroz/Março 2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 01:26
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