Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

rosto perdido


começei a recortar-te em pedacinhos pequeninos, minúsculos bocados de ti, recortei assim a imagem do teu cândido rosto, gravada em papel ...só para esquecer como parecias...
esfrangalhei em pedacinhos a imagem que nunca esquecerei.
Assim,
decidi recortar e espalhar-te por todo lado, na esperança de nunca mais te conseguir organizar dentro de mim, essa tua imagem inesquecível, essa imagem que esfrangalhada em pedacinhos se grava ainda com mais força na minha cabeça ,revigorada, como um carimbo de tinta , que nem lavando se perde, mesmo esfregando, usando lixívia ou detergente, não se apaga nem se dilui, fica tudo lá marcado, lá no fundo... mesmo lá no fudo...
Uma imagem que se crava como uma nódoa de pêssego...assim esfrangalhada por mim...recortada aos bocadinhos tão pequenos que nem se conseguem agarrar, e que tal como tu, me fogem das mãos como vento ...talvez eu nunca mais consiga fazer o puzzle ..talvez comecem a faltar as peças essenciais, aquelas peças que se perdem assim, facilmente no meio da confusão de papel espalhado pelo chão... peças que voam ...e se perdem...
Puzzle difícil de fazer, difícil de juntar e acertar, de mil peças.... todas pequeninas, espalhadas por todo o lado..... confusão...
Por momentos, enquanto te recortava... esqueci como eras , só por momentos ...
Porque, assim de repente, sem eu querer voltei a ver-te definido, tão claro... com uma excelente exposição de luz... imagem de alta definição, mais nitida do que a que tinha visto em papel esbatido
Voltei a ver o teu sorriso !
...que vai ficar gravado, eternamente, mesmo depois de te esfrangalhar, um sorriso que não esqueço... e que com o tempo, só conseguirei sistemáticamente reinventar
recorto a tua imagem esbatida em papel, só pelo prático prazer de te recortar....esfrangalhopor te esfrangalhar
Enquanto te corto em pedaços , monto o puzzle complicado no meu pensar, sem a ajuda de nada, já sem a tua imagem, sem mais ninguém que te consiga imaginar
Recorto-te em pedaços com prazer, espalho-te, e esfrangalhado-te por mim... recordo-te como quero, mesmo quando não quero....
recordo o teu rosto perdido


Teresa Maria Queiroz/ Abril 2009

foto de..... José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 21:52
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desafinar sem querer


Harmonioso e bem estruturado, gostaria de ser o sentimento. Tal e qual como martelos de piano que tocam certos e precisos, batem devagar, nas cordas que lhes pertencem...e sempre sem improvisar.
E se o meu martelo de piano não acerta na corda como deve ser ...desafina e toca uma melodia diferente de tudo aquilo que se espera, ou não desafina mas confunde a música.
Troca as notas e compõem uma canção
irrepetível, subtil e fascinante ...uma música que soa a amor, uma musica que sai de martelos de piano,de cor pardacenta e tão perfeitos ...demasiado perfeitos.
Que choram sem saber o que é chorar, e misturam gargalhadas com prantos, sem dividir nem dissipar...
Desestruturado, o sentimento enche-se daquela estranha harmonia, não se repete na melodia, não por não querer ... é só mesmo por lhe faltar outra perícia.
O sentimento nunca se repete...improvisa...é sempre inesperado, o som que vai criar...improvisar.

Ninguém ensinou o sentimento a viver , ele nasce para tocar de ouvido e sempre duma forma descoincidente, toca só a melodia que sente no seu presente, e por isso nunca a repete...
ruma sem saber, a um hipotético futuro,
esquecendo a música que tocou ainda agora ,agora mesmo! Num momento tão presente, sabe que tocou a melodia que queria ... só aquela que sentia...
Pediram
biz... aplaudiram de pé! Queriam mais...outra vez...
Atrapalhado,sem se saber repetir, o sentimento fugio sem tempo de agradecer os aplausos... que pensou nunca merecer, correu por aí por qualquer lado ...procurando um tambor ...uma guitarra que tocasse o seu chorar melodioso... correndo por aí por um sítio qualquer, iria encontrar a orquestra que num nunca mais acabar de tocar, o conseguia eternizar

.


O sentimento não conhece o presente ... esquece logo o que tocou, já nunca mais se vai lembrar como aquela música lhe soou...

Teresa Maria Queiroz/Abril 2009

foto de ...José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 21:51
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se estou louca...são coisas minhas...



Se vejo uma flor imensa num fogo cuspido para o ar e que queima tudo à sua volta, se sinto a minha força nessa enorme flor, se estou siderada na sua luz amarela, e se cega por esta refulgente luz, não vejo mais nada.... se sei que este fogo queima mais do que qualquer outro, se já o provei e entrei, e se quero entrar novamente de frente nesta fogueira que grita por mim. Se quero entrar e cair, para voltar cheirar o odor dessa enorme flor ,antes que desapareça e se tranforme só em fumo, se desejo sentir o toque do desfolhar de cada pétala, que se forma nas ondas de fogo matizado de amarelo vivo...
se estou louca .... são coisas minhas....
se não me atemoriza sofrer queimaduras de flor, que não vão sarar nunca mais, que deixarão marcas para sempre gravadas na minha cara , no meu corpo ...na minha vida, visíveis até a quem nunca nada vê. Se a belíssima flor de fogo me vai marcar para sempre, e depois morrer comigo, perpetuada outra vez em mim, e se eu desejo entrar nessa fogueira que conheço e que certamente me queima... entro ...porque,
Se estou louca... são coisas minhas....
Se não tenho medo dessa dor, ou do ardor do fogo que me vai tornar nas cinzas que um dia vão poder voar sem aprender.
Não peço a ninguém que salte esta fogueira comigo, não pedirei a ninguém que mergulhe de cabeça nesta ardente flor, não chamo ninguém, porque ninguém me vai ouvir, porque não quero que alguém me oiçam crepitar...

se estou louca ...são coisas minhas ...
Se sou livre de entra e cair, a culpa é minha...se estou louca por me esbrasear outra vez .... é só uma coisa minha...
E, morro sem nunca te explicar o que passa pela minha cabeça , e queimo-me em chamas de pétalas de flor, sem nunca saberes o que dentro de mim floresce todos os dias... e morro a pensar que não sei o que pensas ...sem saber se também tu, não tens medo desta bela e enorme flor de fogo, cuspida assim na sua beleza que só eu vi.... e sozinha desfolho esta flor em que entro ...
se estou louca... é coisa minha ...só minha...
E se só vejo a vida desfolhando-a , rasgando e abrindo pétala a pétala esta flor ardente....vivo...morrendo
se estou louca ...

é uma
coisa minha, tão só minha...

Teresa Maria Queiroz/ Abril 2009

publicado por ampulhetas1 às 21:49
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morte lenta


Cientificamente provado! Cientificamente estudado que o amor não pode existir!!
Concluíram assim os estudiosos, que debruçados num caso sem solução, inventam substâncias injectáveis para controlar qualquer idílico estado de paixão que perigosamente se pode transformar em amor...
Cientificamente provado que não existe, por não poder ser explicado, decretaram assim... que não sentiríamos mais, tudo aquilo que nos faz mover , que nos faz comer ou beber, e que de amor e paixão já ninguém, nunca mais, pode sofrer, e muito menos morrer!! Está proibido...
Decretaram assim cientistas, que com injectáveis substância nos vão por a levitar, por paragens estranhas e irreais , mas seguras, segundo eles...
Só por não saberem como dominar um estado que não se identifica...não isolaram o virus, não contaram as células, não descobriram o mal... não perceberam nada...
E assim, sem se preocuparem, decretaram que quem não souber voltar à vida sem amor, terá que tomar uma droga qualquer que possa substituir o vício da paixão.
Descobriram que não se cura, e que se pode mascarar, substituindo tudo por drogas de torpor, sem dor e sem sentido ...
E quem não souber viver assim, nessa frieza de sentires, tomara um injectável bem estudado, que como efeito secundário...apenas se lhe conhece a morte lenta....

Teresa Maria Queiroz/Março2009

foto de José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 21:48
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rabiscos de fùria...




Rabiscos furiosos de esperança e de fúria não contida, rabisco por ali e por aqui,também por acolá... soltando gritos gravados numa parede de ninguém.
Solto a voz que se emperra na minha garganta seca, de tanto não falar...
não falo porque aqui, ninguém me ouve, não falo porque onde aí estás, nunca mais me ouvirás...
Calada, faço estes
rabiscos de fúria e desespero, que com esperança de nada se traçam neste confuso rabiscar.
Gritos desenhados, gritos projectados por mim, gritos que ninguém ouve, gritos que me riscam de desespero. Já não falo em dor nem prisão, porque de tanto a viver, passou a ser, só o meu inglorioso existir.
Buscando qualquer forma de fugir, já me custa recordar como era naquele tempo, em que nesta mesma prisão, sempre levantada por mim, eu não rabiscava riscos de compaixão, desta bizarra compaixão por mim...
Tão fortemente levantadas as paredes que me isolam de tudo, paredes que me afastam de mim, não sei quem sou por aqui, e escrevendo traços e palavras sem nexo, rabisco a minha paixão pela vida roubada,... por trás de paredes grossas manchadas e riscadas de nada e de fúria...
Aqui não existes, aqui já nada vive, aqui vegeto por corredores
infectos nem sei de quê, nesta prisão à qual me encerrei, só estes rabiscos e gritos mudos de fúria, gritos desenhados duma tão pouca esperança...fazem com que acredito que vivo
Presa dentro de mim...fico numa prisão, que de segura tem tudo o que nunca quis, aprisiono-me assim... aqui tão dentro de mim.
Esta prisão não acaba, os reclusos não se afastam ... não há recreios , não há sirenes...nesta minha prisão edificada por mim, não há ninguém, está deserta , só eu risco gritos de fúria em todas as paredes do meu eu...
Aqui ficarei condenada por mim, juíza de mim, perpétuamente aqui ficarei...rabiscando...


Teresa Maria Queiroz/M
arço 2009

foto ...do meu amigo...José Dias Correia

publicado por ampulhetas1 às 21:45
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